DÁ INSTRUÇÃO AO SÁBIO, E ELE SE FARÁ MAIS SÁBIO AINDA; ENSINA AO JUSTO, E ELE CRESCERÁ EM PRUDÊNCIA. NÃO REPREENDAS O ESCARNECEDOR, PARA QUE TE NÃO ABORREÇA; REPREENDE O SÁBIO, E ELE TE AMARÁ. (Pv 9.8,9)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A favor de um novo paradigma para os centros de formação teológica

Uma pergunta inquieta-me. Como educador e teólogo preciso respondê-la. Parece-me, no entanto, que a resposta que encontro é contrária ao próprio sistema teológico e educacional que me formei e defendi durante muitos anos. Lamentavelmente, a resposta não afeta apenas a mim. Desejaria que apenas uma pessoa fosse molestada por essa inquirição. Mas não. Assim como eu, outros teólogos que se ocupam da docência cristã são igualmente culpados. Centenas de seminários também o são. Outras centenas de cursos de teologia por extensão, EAD, correspondência, seja qual for a metodologia empregada também são igualmente culpados.

Pergunto-me por que ensinamos teologia há quase cem anos, investimos em material didático avançado, em tecnologia de ensino, em formação de professores, e mesmo assim, nada, absolutamente nada, se altera, muda ou se transforma em nossas igrejas e ministérios. Os mesmos problemas éticos, os mesmos escândalos, as mesmas disputadas por "campos", ruas e praças.

Os bacharéis em teologia que saem de nossas faculdades não conseguem refletir e nem produzir teologia. As produções científicas desses formandos inexistem. Suas monografias semelham-se aos trabalhos de alunos do Ensino Médio. Não sabem dialogar com a cultura de nosso tempo. Continuam presos aos guetos de sua teologia obscura, ultrafundamentalista, liberais, incapazes do diálogo dialético. Esses formandos em teologia (seja qual for o nível – Básico, Médio, Bacharelado –, seja qual for a instituição), não produzem um texto de qualidade, de exegese profunda, apenas reproduzem a mesma teologia pragmática, o mesmo didatismo: "5 aspectos da natureza dos anjos"; "3 atributos incomunicáveis da Divindade", etc. Se estiverem em uma instituição fundamentalista, reproduzem o fundamentalismo. Se estiverem em uma instituição liberal, reproduzem acriticamente o liberalismo teológico. Infelizmente, nenhum deles é desafiado a pensar o próprio sistema que o forma. São apenas orientados a criticar o sistema dos outros. Incapazes de entrar em diálogo com um autor de linha teológica divergente. A intolerância grassa dos dois lados. O liberal grita como uma criança mimada quando se discorda de sua desletralização das Escrituras. O fundamentalista chora como uma criança que deixou o último pirulito do pacote cair ao chão se questionado a respeito da inspiração verbal e plenária da Bíblia.

O sistema educacional teológico empregado pela maioria das denominações evangélicas não produz transformação e conhecimento teológico significativo e contemporâneo. É um sistema que reproduz uma cultura teológica e eclesiástica planejadas para manter o sistema educacional teológico e ministerial existentes. Claro que essa não é a intenção dos objetivos do currículo, ou das finalidades da educação teológica. As instituições de educação teológica não afirmam que reproduzem um modelo de educação com vistas à estratificação e a obediência cega e incondicional ao sistema que as fundam e as mantêm.

Os centros de (desin) formação teológica reproduzem uma “cultura cristã arbitrária”. E, por isso, os formandos desconhecem o vocabulário teológico – muitos são até ensinados a rejeitarem a linguagem teológica –, além de vários livros e autores serem rotulados negativamente sem ao menos serem lidos – Index Librorum Prohibitorum. Os gestores pensam que, assim fazendo, estarão impedindo o crescimento do liberalismo, do fundamentalismo, assim como a Igreja Católica pensava impedir o avanço do protestantismo.

A educação teológica arbitrária reproduz a linguagem, a teologia de gueto e os valores dominantes de classes e se recusa a refletir a respeito da práxis e missão da Igreja de Cristo no mundo. Essa teologia é incapaz de responder positivamente aos dilemas e desafios da igreja moderna e de compreender as indagações e agonias de nosso tempo. Na verdade, ela não quer; sua preocupação é outra. Menos intolerância acadêmica e mais alteridade e diálogo teológico!

Não (!) ao cerceamento de bibliografias para a pesquisa nos centros de educação teológica. Em alguns seminários, para que um livro e uma bibliografia sejam lançados no limbo, no index, basta apenas que o nome do autor tenha mais consoantes do que vogais, ou o selo editorial não corresponda ao denominacional.

Muitos gestores, infelizmente, nem sabem que estão reproduzindo as iniquidades educacionais e ministeriais de seu tempo, de sua denominação, do mercado cristão. Assim, muitas faculdades de teologia são instrumentos denominacionais para a manutenção ideológica do modelo que ai está.

Muitos pretensos educandos que, na verdade, não se educam, estão apenas em busca de um documento que ratifique e oficialize suas práticas ministeriais já conhecidas. Estudam em instituições teológicas que ensinam contra a teologia da prosperidade e, mesmo assim, continuam pregando e ensinando a teologia da prosperidade, entre outros desvios doutrinários. São aprovados apesar de não terem frequentado a carga horária mínima exigida. Saem da faculdade de teologia sem o menor conhecimento das línguas originais, de exegese, hermenêutica, de teologia, entre outras. Ética e lisura, por exemplo, são vocábulos excluídos dos dicionários de muitos formandos. Solidariedade, sustentabilidade e justiça social resumen-se a "chá de senhoras", "coleta de donativos", entre outros paliativos que anestesiam a consciência. Respeito e fidelidade são mercadorias descartáveis na comercialização do poder. Centenas de bacharéis em teologia saem de nossas faculdades teológicas como entraram – muitos poucos escapam dessa lei inexorável. São mantidos acorrentados nas prisões das quais deveriam se libertados.

Precisamos mudar, mas para a melhor. É necessário repensar os propósitos da educação teológica. Esse modelo de ensino teológico só pode ser chamado de essencialista: a preocupação é apenas com o conteúdo a ser ensinado; o aluno é mero recipiente a ser preenchido. Essa concepção de educação teológica entende que o mundo se reduz a verdades essenciais que estão dentro do sistema epistemológico defendido e proposto. Portanto, não há conflitos e debates, pois as verdades estão no dogma, expresso por meio dos credos. Basta apenas conhecer o credo, manter-se nele e tudo o mais se resolverá. O mundo é simplificado. Sua complexidade e pluralidade são reduzidas a sentenças dogmáticas inquestionáveis. O aluno não é desafiado a mudar a realidade, as injustiças, a lutar pela liberdade cristã.

Todavia, os nossos centros de educação teológica precisam de um novo paradigma de educação teológica. Uma teologia de caráter mais cristã, existencialista e libertadora. Não digo existencialismo no modelo filosófico ateu, mas em seu modelo humano, pedagógico. Um paradigma que reconheça e defina sua visão de homem, de humanidade, de alteridade. Sistema educacional onde a missão do professor é orientar; ele é um arquiteto cognitivo, um engenheiro de teologias, orientador. Nesse modelo, o aluno é o sujeito de sua formação teológica, livre para escolher e orientar-se. O aprendente é orientado a apreender a dinâmica do mundo e construir ele mesmo a teologia para o seu tempo, contexto, realidade e comunidade. Ele não é prisioneiro da teologia, mas autônomo para pensá-la. O estudante de teologia deveria recusar-se a aceitar um modelo teológico que o aprisiona em vez de libertá-lo! Esse paradigma não deve ser elaborado no gabinete, na solitária, nos subterrâneos de nossas igrejas, mas em diálogo dialético-dialógico. Precisamos de um novo paradigma, de uma visão de educação teológica que não seja reducionista, antibíblica e estratificada.

Um paradigma que não proíba o pensar, e que não tenha medo de pensar a si mesmo!

Crédito das charges:

blog do Flamir: flamir.blogspot.com/

cristovm.wordpress.com/.../charge-1/

30 comentários:

Direto ao Ponto disse...

Otima postagem irmão Esdras. Realmente as faculdades teológicas de uma forma geral tem falhado no objetivo de formar "pensadores" ao invés de meros "repetidores". Louvo a Deus pela vida do senhor, e de outros ensinadores que Deus tem levantado em nossa igreja "AD" afim de que essa situação possa mudar. Eu mesmo conclui um bacharelado em teologia que sequer teve uma introdução as línguas originais.

Um abraço, e a paz do bom Mestre!

Oliveira e Oliveira disse...

Caro Pr. Pastor Esdras,

Paz e Bem!

Essa é uma denúncia séria que deve ser considerada por toda gestão de seminários e faculdades em Teologia. Finalmente, após anos o MEC reconheceu o curso de Teologia, mas às vezes me pergunto: O que a sociedade espera dos teólogos formados nas instituições reconhecidas? Temos condições de representar o que o canudo diz que somos? O teólogo cristão brasileiro tem bagagem para pensar, debater e executar alguma "teologia" coerente, integral e relevante, onde traga uma resposta concreta à sociedade.
Como formando do 8° período de um curso de bacharelado em Teologia reconhecido pelo MEC, faço essas perguntas todos os dias.

Rio de Janeiro - RJ

Anônimo disse...

Pr. Esdras,

Tu fazes parte de uma instituição que representa tudo isso que criticaste. A CPAD é macanismo da proliferação maciça de teologia obscurantista, fundamentalista, “denominacionista”, não dialogal, raquítica e superficial, carregada muitas vezes por livros de autores americanos ultraconcervadores. Por que será que as obras da CPAD não estão nas melhores faculdades de teologia (EST, UMESP, Bat. do Sul, Mackenzie, FTBP etc.) como livros a serem estudados ou livro texto?

Leonardo dos Santos Silveira disse...

Pastor Esdras, parabéns pela postagem. Realmente há uma necessidade de um novo paradigma. Muitos professores são colocados para dar aulas em uma disciplina na qual eles não tem nenhuma condição, quando menos nem sabem do que sua disciplina difere da de outro professor, deixando os alunos confusos. É preciso que os mesmos sejam escolhidos de acordo com a área de pesquisa que se dedicam. Sem contar que os alunos infelizmente não sabem diferenciar, muitas vezes, uma aula de uma pregação. Enfim, é um longo caminho, mas não podemos desistir. Um abraço, Deus continue te abençoando!

Leonardo, fui um dos seus alunos de Hermenêutica e Filosofia da Religião na Faecad.

zwinglio rodrigues disse...

Pr. Bentho, paz!

Se soubéssemos que somos capazes de repetir, a partir da reflexão, do questionamento, do desequilíbrio, o que os outros já disseram, faríamos questão de sermos críticos e reflexivos, independente do que nos é proposto.

Não apenas repetir, mas também produzir, nem que seja pra ir um pouco mais além daquilo que, inicialmente, apenas repetimos.

É característica da Igreja e suas instituições paraecelsiásticas o enquadramento.

Com permissão da palavra, somos covardes!

Vou indicar esse extraordinário artigo em meu blog.

Abraços!

Esdras Jr. disse...

Pai, peço para que o senhor visite o meu blog e divulgue-o para seus amigos e para seus seguidores. Aqui esta: http://entremuitaseoutras.blogspot.com/
Parabéns, o senhor soube usar suas palavras muito bem a respeito do assunto tratado no poste.
Abraços.

Luis Garcia disse...

Parabeins por seu Blog


Luis Garcia - Webmaster
http://searchinthebible.com/pt/content/

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene
Prezado blogueiro e amigo “Direto ao Ponto”, obrigado por sua participação no Teologia & Graça.

Como o caro colega se expressou, “as faculdades teológicas de uma forma geral tem falhado no objetivo de formar ‘pensadores’”, mas a pergunta é: Elas querem mesmo formar pensadores?

Na verdade, ainda precisamos ensinar em nossos seminários e faculdades os fundamentos da teologia, uma vez que os aprendentes que ingressam em nossos seminários não conhecem as questões propedêuticas da fé, da Bíblia, etc.

Acredito que agora, depois de cem anos, já temos condições de avançar em nossas reflexões, uma vez que o fundamento já está posto.

Isto ocorreu recentemente, por ocasião das Comemorações do Centenário. Reuniu-se, em Campinas, diversas lideranças da AD para refletir e repensar a teologia esposada pela nossa denominação. Essa iniciativa da editora da denominação, CPAD, prova o interesse de nossas lideranças em dialogar e refletir a respeito das questões doutrinárias e posições teológicas de nossa denominação.

Um de nossos melhores exegetas, Pr. Ezequias Soares, e um de seus mais novos e brilhantes pensadores, Pr. César Moisés, entre outros grandes mestres, Pr. Elienai Cabral, Pr. Claudionor de Andrade, Pr. Isael de Araújo, etc. foram responsáveis, por meio do incentivo da CPAD e CGADB, em alavancar essas reflexões.

Um documento será emitido (Manifesto da Reflexão Teológica Pentecostal das Assembleias de Deus no Brasil – Carta de Campinas), isto é, um parecer doutrinário do evento. Vamos esperar e aguardar o desenvolvimento desse debate. De qualquer forma, já estamos no processo.

Esdras Bentho

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene
Oliveira, obrigado por sua participação no Teologia & Graça.

Gostaria muito que nossos seminários e faculdades teológicas refletissem a respeito de sua missão e visão.

Até mesmo, que formulassem ou reformulassem o Projeto Político Pedagógico ou o cumprisse conforme proposto ao MEC.

A teologia é ciência interdisciplinar, em constante diálogo com a sociedade. Daí, o seu caráter reflexivo, contemporâneo e apologético.

Teologia é compreensão do mundo, da sociedade, da cultura, e do papel da igreja no mundo. Que nossas instituições de formação teológica formem teólogos que saibam refletir e pensar os desafios de nosso tempo.


Esdras Bentho

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Caro “Anônimo” não costumo “liberar” comentários de pessoas que se escondem no anonimato, que não tem coragem de assumir suas opiniões e declarações.

A orientação de Davi ao seu filho Salomão é o mesmo que reproduzo aqui: “Se homem”.

Todavia, assumi a responsabilidade de “liberar”, pois entendo que o diálogo e o direito de ser ouvido são inegociáveis em uma sociedade democrática e tolerante.

Você diz que faço “parte de uma instituição que representa tudo isso que criticaste”, acredite, faltou uma reflexão mais acurada de sua parte.

Primeiro, a CPAD é uma editora evangélica, pentecostal e confessional. Assim como as editoras denominacionais de nosso país, publica obra destinada ao seu público-alvo. Solicite a uma editora reformada que publique obras que contrariem suas doutrinas básicas e veja se elas lhe ouvirão.

Segundo, a CPAD tem publicado excelentes obras acadêmicas que muitos seminários, ao contrário do que você afirmou, usam, citam e recomendam.

Até mesmo seminários católicos e centros avançados de teologia têm usado as obras da CPAD, o caro anônimo é que desconhece esses fatos. Sabemos que ainda há um processo muito longo a percorrer, mas estamos no caminho!E você tem razão, trabalho na CPAD, com muita alegria e satisfação, pois entendo a missão e a visão de nossa Editora.

Quanto às contribuições acadêmicas da CPAD, além do catálogo crescer a cada ano, com autores renomados como Kaiser, Carson, M. Tenney, Hamilton, Robertson, Vincent, Confort, entre outros, a editora está preparando comentários bíblicos, léxicos e manuais das línguas originais, com os melhores tradutores, obras de excelência acadêmica. Haja vista, a Bíblia de Estudo Palavras-Chaves Hebraico e Grego, entre outras importantes produções literárias acadêmicas.
Quanto à acusação de “não dialogal”, são pessoas tacanhas, ácidas, extremamente críticas que limitam as ações e publicações “dialogais” das editoras. Basta alguém escrever com certa liberdade a respeito do diálogo teológico e da necessidade de uma formação teológica relevante, que pessoas surgem para atacar editoras, denominações e pessoas. Quem, portanto, é intolerante, raquítico, e incapaz de dialogar? Nossa denominação está trabalhando para crescer teológica e eclesiasticamente, e você o que tem feito?

Só espero que você não seja um assembleiano que desfruta das benesses denominacionais e, covardemente,ataca a denominação que lhe dá prestígio, simplesmente para ver o "circo pegar fogo", a grande alegria do palhaço.

Esdras Bentho

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Leonardo, obrigado por sua participação no Teologia & Graça.

Lembro-me muito bem de sua dedicação e rigor metodológico nas pesquisas.

Acontece que nossos seminários ocupam-se da formação ministerial em vez da formação teológica. Se a preocupação é formar “pastores”, a concentração curricular e a ênfase à teologia acadêmica, acaba, para atender aos objetivos eclesiásticos, sofrendo solução de continuidade. Outro erro é enfatizar a teologia acadêmica e se esquecer da vida e prática ministeriais. É preciso um equilíbrio entre essas possibilidades.

Quanto à formação do professor e concentração do professor em disciplinas de sua “especialidade”, esse é um problema de todas as instituições de ensino do país. Entretanto, cabe ressaltar que o caráter interdisciplinar da teologia e da ciência implica cada vez mais no “enfraquecimento” do especialista. Precisamos sim, de professores-pesquisadores, de professores-autores, etc.
Esdras Bentho

Anônimo disse...

Olá Esdras,

publiquei o comentário em anônimo porque foi a única maneira de colocá-lo aqui. Não consegui fazê-lo de outra maneira; não sei muito sobre esses mecanismos da net. As outras opções não sei como usá-las. No entanto, é o conteúdo do comentário que deves responder e não ao indivíduo.

Não sou mais da Assembleia, já fui há algum tempo. Inclusive li algumas coisas que escreveste – diga-se de passagem, com profundas falhas exegéticas (perdoe-me só estou sendo sincero. Caso não acredite, mande teus textos a alguns exegetas sérios e saberás que não estou com perseguições). Acho que és esforçado, mas lês autores ultrapassados (servem para a história da pesquisa, e não para textos de ponta)de certa relevância. Teus textos precisam de apuração técnica tanto nas ferramentas exegéticas, que citas sem saber o que estás citando (se desejares mando-te por email os tais equívocos exegéticos)como nas conclusões teológicas. Onde fizestes tua graduação em Teologia(ou pós ou mestrado ou doutorado em Bíblia)? Recomendo-te uma pós lato ou stricto sensu em exegese, porque assim afinarás teus textos exegéticos, e tu os deixarás mais próximos das verdadeiras obras acadêmicas (não quero dizer que serão desvinculadas do mundo da Igreja, pois também servirão). Percebi que o senhor se sentiu ofendido por meus comentários no texto anterior, mas teci minhas sinceras opiniões, como fiz agora; que não são somente minhas.

Sou professor e doutor em Teologia Bíblica na Argentina e li o teu texto por acaso e fiz questão de comentá-lo.

Você citou alguns autores publicados pela CPAD. Só confirmou minhas críticas, pois são extremamente conservadores (Carson, Kaiser...)!

Perdoe-me, mas infelizmente a CPAD pode até ser uma grande empresa, com muitas vendas, um exemplo para o mercado, mas não em produção séria de teologia. Pois até hoje encontramos obras de péssima qualidade entre suas publicações. Acabei vendo no seu blog algumas revistas que tens contato (RIBLA, Estudos Bíblicos, Fides Reformata...), faze tu uma comparação e vê como estou certo em minhas colocações.

Sim, concordo que a CPAD é confessional, e tem todo o direito de ser. Mas o problema é que fizeste críticas sérias, que na verdade fazem parte do teu mundo de produção teológica. Como posso criticar algo que eu mesmo produzo, defendo e faço parte? Por isso saí...

Não seja parcial. Se realmente tens vontade de uma teologia mais dialogal e não obscurantista, concordaria com minhas críticas. Talvez se estivesse em outro lugar não terias as mesmas colocações.

Contudo, desculpe-me o incomodo.

Dr. Roberto Mazzon

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene
RESPOSTA AO "DR.ROBERTO MAZZON" (1)

Prezado Dr. Roberto Mazzon, quanto à sua identidade ainda tenho minhas dúvidas. Penso [apenas desconfio], de quem se trata, mas é apenas uma intuição. Todavia, como o caríssimo mesmo se pronunciou “é o conteúdo do comentário que deves responder e não ao indivíduo”.

Pelo que entendi de seu texto, você já foi membro da AD, mas saiu pelo fato de não concordar com a posição teológica da denominação, entre, provavelmente, outras questões. Respeito sua decisão, somos livres para escolher a denominação que nos identificamos melhor. Mas, no que concerne à teologia, dificilmente encontraremos uma denominação, igreja ou instituição em que a teologia oficial do magistério eclesiástico representará 100 % à posição do teólogo e do pesquisador local. Isto já fora afirmado por P. Geffré em suas obras, W. Egger, Simiam-Yofre (et al), mas temo que as opiniões desses consagrados autores também estejam ultrapassadas para você. Assim, desconfio que o caro Mazzon já sente-se sem espaço nesse mundo, pois nenhuma denominação representará suas crenças acadêmicas, talvez, a academia, mas isso não é bom, parafraseando Ricardo Quadros, “unidade sim, conformidade não”. Desculpe-me se este crítico da teologia oficial de sua denominação também estiver desatualizado!

Quanto às “profundas falhas exegéticas” de meus textos, agradeço a crítica, a observação e a atenção de um mestre de seu quilate; gostaria de recebê-las aqui mesmo nesse espaço, se o caríssimo estiver disposto a compartilhar seus conhecimentos filológicos e exegéticos com o pequeno público desse blog, caso não queira que suas correções exegéticas aos meus textos tornem-se públicas (o que eu acho um desperdício) pode enviá-las pelo e-mail (esdrascb@yahoo.com.br), mas recomendando-me que não as publique, pois se assim não o fizer, publicarei. Desde já afirmo que não sou ciumento quanto minhas opiniões e exegese, pois ainda estou em construção, em processo. Assim, apontado as falhas de minha exegese, não terei qualquer vergonha ou timidez de corrigi-las e de lhe ser grato. Por isso, não preciso incomodar outros “exegetas sérios”, pois o prezado já estará poupando-lhes o árduo trabalho. Apenas para informá-lo, não tenho síndrome de perseguição, estou pronto ao debate de ideias, ao dia-logo dialético. Como disse Hamann (esse sim é antigo, 1784, citado por Heidegger, A caminho da linguagem, p.9): “Aguardo sempre a vinda de um anjo apocalíptico trazendo a chave do abismo”.

(CONTINUA)

Esdras Costa Bentho disse...

"RESPOSTA AO DR. ROBERTO MAZZON" (2)

Sim, de fato, julgo que acertaste quando disseste que sou “esforçado”. Reconhecendo meu ethos, minhas origens, devo concordar. Faltando-me, como disse Hamann, citado por Heidegger, “a eloqüência de Demóstenes”, restou-me o esforço enquanto construção do ser e de sentido no mundo. Agora, quanto à leitura e ao diálogo com autores ultrapassados, gostaria que você, como Doutor que provavelmente fala e lê em pelo menos quatro idiomas, e por isso tem acesso ao melhor da teologia contemporânea, justificasse a esse paraibano que gosta de farinha e teologia, hermenêutica e pimenta, quem são os autores a que você se refere e a validade deles “apenas para a pesquisa, e não para textos de ponta, de certa relevância” – significa, portanto, que pela bibliografia inadequada e ultrapassada, o que tenho escrito nesse blog é irrelevante. Pode mandar pelo e-mail, mas eu prefiro que o caro lente (nos dois sentidos) exponha o meu desconhecimento dos textos que cito (“citas sem saber o que estás citando”), e dos autores que faço referência nesse blog. Desde já posso afirmar que estou disposto a dialogar, e retroceder, caso você esteja certo. Não me sentirei envergonhado ao ser corrigido e aprender com quem sabe ensinar. Sempre tive essa posição aberta ao conhecimento e às críticas. Acredite, isso só irá ajudar-me, não sou melindroso, acredite; quero aprender com o melhor. Mas também sou crítico e acredito que também perspicaz, por isso, não use sofismas, ou técnicas retóricas para prevalecer, apenas a verdade. Agradeço também pelo incentivo e recomendação. Fazer uma pós, um mestrado ou doutorado em Bíblia não é apenas um sonho, como também um projeto pessoal. Sua orientação motiva-me ainda mais, obrigado, no entanto, ainda tenho que adiar esse projeto.

Você poderia citar as editoras protestantes brasileiras que publicam teologia séria? Mas por favor, não pode ser aquelas bibliografias ultrapassadas das quais sou acusado. Prezado Dr. Mazzon, não espere que as editoras confessionais brasileiras publiquem obras de teologia que não sejam confessionais, elas tem um conselho editorial, isso não mudará nunca. Todavia, é dado a todo teólogo, pesquisador e biblicista a prerrogativa de discutir, dentro de seu contexto, a relevância e a linguagem teológica de sua denominação. E o caro Doutor não está enxergando isso! Você diz que eu não devo me pronunciar a respeito, porque minhas críticas “fazem parte do teu [meu] mundo teológico”. Acho que você já está muito tempo fora do Brasil. Aqui, meu caro, estamos discutindo nossos dogmas internos, nossas teologias, buscando alternativas, dialogando, procurando fazer a síntese (à moda hegeliana), procurando adequar a linguagem teológica à realidade brasileira; estamos discutindo uma teologia para a denominação, para a formação de pastores, pesquisadores e acadêmicos, isto, a partir de nosso contexto interno. Hoje a denominação nos permite discutir nossas limitações teológicas, apesar de rotulados por uns de fundamentalistas e por outros de evangelicalismo, o que importa não é a chegada, mas o processo que estamos realizando. Graças a Deus que assim como eu outros assembleianos estão discutindo suas crenças, convicções, dogmas. Como uma pessoa culta e interessada o esclarecimento teológico, você deveria estar regozijando-se pelo fato de que estamos discutindo questões que denominações mais antigas ainda não ousaram.

Prezado Dr. Mazzon, gostei muito de discutir esses assuntos com o senhor.
Aguardo suas intervenções, e não precisa se desculpar. Não fiquei ofendido.
Um abraço e obrigado.

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Zwinglio, obrigado por sua colaboração no Teologia & Graça. O que estou propondo não é o fim dos fundamentos teológicos defendidos pelas escolas, mas a reflexão dos sistemas e discursos que as mantém. Estamos diante de uma aporia! Da necessidade de pensar os fundamentos de nossa teologia, de fazermos uma síntese das doutrinas à moda hegeliana. Talvez a fórmula seria: doutrina + diálogo= síntese.
Temos de um lado o liberalismo que se constitui em suas ideias tão fundamentalista quanto o fundamentalismo e, de outro, o neofundamentalismo que deseja repensar suas doutrinas.
Será que é possível?

Esdras Bentho

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Luis Garcia, obrigado por suas palavras motivacionais.

Esdras Bnetho

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Obrigado filho por suas palavras motivacionais. Seja bem-vindo a blogsfera cristã.
Divulgarei o seu blog entre os amigos.

Um abraço

Esdras Bentho

Leandro Hüttl Dias disse...

Olá irmão Esdras.

Meu professor de filosofia, Prof. Dalton Flores, dizia algo sobre alguns estudantes do curso de teologia: "eles passam pelo curso [de teologia], mas não deixam o curso passar por eles".

Ao terminar o curso pude "organizar" mentalmente as matérias mais relevantes para a continuidade dos estudos, levando em conta o seguinte: o Reino de Deus.

Sim, tivemos muitas discussões boas em salas de aula, hegelianas de fato, posso pontuar minha vida entre antes e depois de Cristo; e minha fé entre antes e depois da teologia. Cresci muito! Observei e critiquei meu sistema, aprendi, mudei. Definitivamente? Não! Somos sabedores de que estamos sempre em reforma.

Extrai o melhor do curso. Na formatura, fui o orador, e ao final o diretor pegou o microfone e disse: "esses alunos passaram pela teologia e não perderam a fé". Acredito firmemente que a base para um bom curso de teologia é uma fé firme e persistente em Cristo, de fato uma experiência real com Ele (não necessariamente visões e afins) e ter nEle o Maior professor e ajudador nas reflexões teológicas.

Também notei que Cristo, homem, foi o maior teólogo que já existiu (até porque também era, é e sempre foi plenamente Deus! - não há currículo e graduação melhor que essa!) e ele foi simples, profundo, exato e... eficaz, a teologia dEle tinha e tem proveito.

Admiro grandes obras, escritos filosóficos, mas minha prioridade continua sendo no viés que o senhor publicou neste seu texto. Também é meu desejo e projeto a continuidade acadêmica do estudo, e o aprimoramento do estudo das línguas originais que tive na grade. Quando? A vida inteira! Devemos continuar nossa "graduação" em teologia, busca, estudo constantemente. A comida cozida "em fogo brando" é incomparável em sabor.

Parabéns pelo levante da discussão. É necessário mesmo, e ainda um toque final: alguns formam-se e depois ocupam-se em blogs ultra-críticos, com a máscara de apologética, misturando conhecimento teológico com a carnalidade de tentar reformar a Igreja, no lugar de espiritualidade servida pela reflexão.

Abraços!

Leandro Hüttl Dias disse...

Olá irmão Esdras.

Meu professor de filosofia, Prof. Dalton Flores, dizia algo sobre alguns estudantes do curso de teologia: "eles passam pelo curso [de teologia], mas não deixam o curso passar por eles".

Ao terminar o curso pude "organizar" mentalmente as matérias mais relevantes para a continuidade dos estudos, levando em conta o seguinte: o Reino de Deus.

Sim, tivemos muitas discussões boas em salas de aula, hegelianas de fato, posso pontuar minha vida entre antes e depois de Cristo; e minha fé entre antes e depois da teologia. Cresci muito! Observei e critiquei meu sistema, aprendi, mudei. Mas "...semper reformanda est"!

Extrai o melhor do curso. Na formatura, onde fui o orador, o diretor pegou o microfone ao final e disse: "esses alunos passaram pela teologia e não perderam a fé". Acredito firmemente que a base para um bom curso de teologia é uma fé firme e persistente em Cristo, de fato uma experiência real com Ele (não necessariamente visões e afins), e ter nEle o Maior professor e ajudador nas reflexões teológicas. Isto é, de fato, ter fé operando junto com a razão.

Também notei que Cristo, homem, foi o maior teólogo que já existiu (até porque também era, é, e sempre foi plenamente Deus! - não há currículo e graduação melhor que essa!) e ele foi simples, profundo, exato e... eficaz, a teologia dEle tinha e tem proveito.

Admiro grandes obras, escritos filosóficos, mas minha prioridade continua sendo no viés que o senhor publicou neste seu texto. Também é meu desejo e projeto a continuidade acadêmica do estudo, e o aprimoramento do estudo das línguas originais que tive na grade. Quando? A vida inteira! A comida cozida "em fogo brando" é incomparável em sabor.

Parabéns pelo levante da discussão. É necessário.

Abraços!

Leandro Hüttl Dias disse...

Olá irmão Esdras.

Meu professor de filosofia dizia algo sobre alguns estudantes do curso de teologia: "eles passam pelo curso [de teologia], mas não deixam o curso passar por eles".

Ao terminar o curso pude "organizar" mentalmente as matérias mais relevantes para a continuidade dos estudos, levando em conta o Reino de Deus.

Posso pontuar minha vida entre antes e depois de Cristo; e minha fé entre antes e depois da teologia. Cresci muito! Observei e critiquei meu sistema, aprendi, mudei. Mas "...semper reformanda est"!

Extrai o melhor do curso. Fui o orador da formatura e o diretor pegou o microfone ao final e disse: "esses alunos passaram pela teologia e não perderam a fé". Acredito firmemente que a base para um bom curso de teologia é uma fé firme em Cristo, uma experiência real com Ele, e ter nEle o Maior professor e ajudador nas reflexões teológicas. Isto é, de fato, ter fé operando junto com a razão.

Também notei que Cristo, homem, foi o maior teólogo que já existiu (até porque também era, é, e sempre foi plenamente Deus! - não há graduação melhor que essa!) e ele foi simples, profundo, exato e... eficaz, a teologia dEle tinha e tem proveito.

Admiro grandes obras, escritos filosóficos, mas minha prioridade continua sendo no viés que o senhor publicou neste seu texto. Vamos continuar a estudar a vida inteira! A comida cozida "em fogo brando" é incomparável em sabor.

Parabéns pelo levante da discussão. É necessário.

Abraços!

Jean Patrik disse...

Um presbiteriano escreveu no seu blog o seguinte artigo:
O lado "espírita" da CPAD.
Veja: http://blogdoseleitos.blogspot.com/#axzz10GLDDsiR
Daqui a pouco estaram dizendo que a IEAD é uma seita, só falta isso também.

Jean Patrik disse...

Pastor é de suma importancia que o senhor de uma olhada nesse blog.
http://somentepelaescritura.blogspot.com/

O engraçado é que ele é um assembleiano calvinista

Jean Patrik

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Leandro Hüttl, obrigado por sua participação no Teologia & Graça.

Seu professor está corretíssimo. Alguns alunos “passam”, mas não deixam a teologia fazer parte de suas vidas e ministérios.

Gostei muito de sua mimese. Ricardo Quadros Gouveia escreveu Piedade Pervertida, obra em que ele fala de sua experiência como teólogo, de sua formação e experiência acadêmica. Obra para se ler e refletir.

Hoje, até mesmo em alguns cursos de pós, a seleção do aluno é feita com base em seu portfólio (PUC – RJ, por exemplo).

Essas andanças e passagens aliadas à reflexão são preciosos materiais para conhecemos as pessoas, seus projetos e caminhos.

Destaco em sua fala o emblemático testemunhal
“Extrai o melhor do curso. Fui o orador da formatura e o diretor pegou o microfone ao final e disse: "esses alunos passaram pela teologia e não perderam a fé". Acredito firmemente que a base para um bom curso de teologia é uma fé firme em Cristo, uma experiência real com Ele, e ter nEle o Maior professor e ajudador nas reflexões teológicas. Isto é, de fato, ter fé operando junto com a razão.”

Quem sabe, em vez de os cursos de teologia exigirem o vestibular de conhecimento propedêutico, selecionem os seus alunos com base no portfólio pessoal...quem sabe?

Deus o abençoe!

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene
Obrigado Jean. Vou conferir o blog!

Jean Patrik disse...

Estou esperando o senhor na conferência EBD aqui no dia 9 de outubro em Rosa da Penha.

paz do Senhor.

Edson Alves disse...

Prezado Esdras, além dos Centros de Formação terem as falhas apresentadas, ainda temos o fato de que depois de formados, a maioria não discute mais sobre Teologia. Quando estamos lá, é exigido uma série de trabalhos árduos de pesquisa e desenvolvimento de idéias (pelo menos onde estudei era assim), mas ao sairmos da "torre de marfim", sequer existe a continuação do diálogo teológico. Há um verdadeiro retorno aos dogmas, cada um com o seu.

Raros são os congressos, simpósios e eventos deste nível nas denominações históricas por exemplo. Infelizmente precisamos melhorar muito

Um abraço!

J.Lima disse...

Esdras
Lí o seu artigo e realmente gostei da proposta apresentada o próprio tema é relevante: “A favor de um novo paradigma para os centros de formação teológica”.
Você não só apresentou o problema como também trouxe a proposta. Atuo como professor de teologia e Diretor pedagógico do INSTITUTO BIBLICO DE CAMPINAS (IBICAMP) – SP.
Olha esse artigo me fisgou pelo fato de ser professor e me identificar com os dilemas apresentados. Quero comentar alguns tópicos dentro desse texto e estarei colocando alguns trechos entre “Aspas”, e seguindo original do texto:

“Assim, muitas faculdades de teologia são instrumentos denominacionais para a manutenção ideológica do modelo que ai está.”
Esdras no meu ponto de vista isso acontece pelo fato de que a epistemologia em que a teologia brasileira está firmada é ultrapassada. Estamos ainda na era medieval precisamos sim reconhecer o legado dos pais da igreja, dos reformadores, mas não dá para continuar como a ontologia do “SER que move, mas é imóvel” o motor imóvel de Aristóteles que Agostinho, e posteriormente Calvino estratificou, e que mesmo a revolta pelagiana e Arminiana em alguns pontos não conseguiu responder.
A “manutenção ideológica do modelo que ai está”. È um efeito de pressupostos que a liderança atual não tem estrutura para dialogar, e ai vem o ponto em que quero chegar: “COMO UM PROFESSOR VAI ATUAR EM LEVAR A METODOLOGIA DA DÚVIDA” que seria o caminho para uma reflexão de mudança no pensar teológico? È claro que um bom professor não vai perder a oportunidade de com graça e uma boa didática mexer nesses pontos.
“Um paradigma que reconheça e defina sua visão de homem, de humanidade, de alteridade”
Agora você entra na antropologia, meu caro! È mexer num vespeiro, numa sala de aula, abordar a leitura do Genesis por outra óptica que não seja literal, e correr o risco de passar pela inquisição do Século XXI, não da fogueira que queima no fogo, mas no “gelo” do abandono!
A hermenêutica bíblica da ortodoxia herança da reforma, já não serve mais, não tem jeito. Esdras você certamente tem alunos universitários, e sabe o problema de dialogar com a antropologia contemporânea, sem mexer na leitura literal do Genesis! Conheço diversos cristãos que ao entrarem numa faculdade principalmente de CIÊNCIAS SOCIAIS, PSICOLOGIA, FILOSOFIA... Não conseguem resistir, tem sua mente bombardeada, e a pregação perde o sentido, afinal o slogan é: “contra os fatos não há resistência”! Contudo sabemos que muitas coisas que a ciência afirma como verdade absoluta são teorias, que na realidade habitam na dimensão da fé, tanto quanto o cristão, contudo a força da mídia, fala mais alto e muitos sucumbem diante do bombardeio ateu nas universidades!
Estudei 3 meses numa faculdade no curso de psicologia e tive pelo menos 4 confrontos com um professor ateu, adepto da filosofia de Nietsche...Agora amigo lhe pergunto? Como estão os nossos jovens nas faculdades enfrentando esses anticristãos?
Concluindo essa parte na quarta vez a aula falava justamente da antropologia, e o professor fez uma critica a teoria da imagem e semelhança de Deus no homem! Imediatamente usei a teoria darwinista que ele defendia, para mostrar que tanto o TEISMO quanto o EVOLUCIONISMO trabalhava com o mesmo pressuposto: “FÉ!”
Numa outra vez quando foi falar da crença nos escritos bíblicos ele sugestionou falar sobre como o cristão crê na inspiração, ai então falei das teorias, sendo a ultima de KARL BARTH. Esdras, você acredita que tem gente com o CERTIFICADO DE BACHAREL EM TEOLOGIA que sequer ouviu falar em KARL BARTH? Da vontade de chorar!
CONTINUA...

J.Lima disse...

CONTINUA...
“Nesse modelo, o aluno é o sujeito de sua formação teológica, livre para escolher e orientar-se. O aprendente é orientado a apreender a dinâmica do mundo e construir ele mesmo a teologia para o seu tempo, contexto, realidade e comunidade”
Esdras o modelo que você sugere acho que surgiu na década de 70 com a missão integral e em resposta o catolicismo produziu a teologia da libertação (muito criticada mas pouco compreendida pelos que a criticam na minha visão). A teologia da missão integral já é aplicada no Brasil creio que você já deve ter lido sobre algumas denominações que a aplicam, essa dialogam mais com as CIENCIAS HUMANAS. (Não quero entrar nos méritos nem fazer critica contudo creio ser a que melhor dialoga com o contexto atual). Só um exemplo: A doutrina da dicotomia e tricotomia, o dualismo corpo-alma/espírito. Essa concepção leva a uma antropologia alienada, isenção da responsabilidade social, afinal o importante é a “vida espiritual” etc... Quando comprovadamente mostra hoje a UNIDADE entre essas dimensões que podem ser nominadas, contudo jamais atribuir funções separadas. Isso é só um exemplo de algumas reflexões antropológicas que quem ousa entrar nesse “vespeiro”, são taxados de liberais
“Ele não é prisioneiro da teologia, mas autônomo para pensá-la. O estudante de teologia deveria recusar-se a aceitar um modelo teológico que o aprisiona em vez de libertá-lo! Esse paradigma não deve ser elaborado no gabinete”.
Concordo plenamente, aliais essa ruptura já é praticada a muito tempo pela ASSEMBLÉIA DE DEUS, veja que a grande maioria dos obreiros foram forjados no labor da dialética com o povo. Aliais que tem escola de “INTERNATO”, tá sentindo na pele o que é ficar parado no tempo! Contudo muitos ainda desprezam a leitura, a reflexão com a sociedade com o contexto em que vivem. Agora tenho experiência para afirmar que isso requer sair do conforto, e muitos não querem, preferem a comodidade da gaiola a o risco de voar!
“Precisamos de um novo paradigma, de uma visão de educação teológica que não seja reducionista, antibíblica e estratificada”.
Mais uma vez você acertou, sou tido como o professor polêmico na sala, inflamo os alunos ao confronto, tiro-os da comodidade, tento mostrar os paradoxos que precisamos conviver com a “teoria da teologia” essa quando encarnada no dia a dia, nos mostra a necessidade de redefinir os pressupostos principalmente da teologia sistemática. Acredito que a teologia brasileira confessional, não está muito disposta a deixar a sistemática elaborada tendo os fundamento a era medieval.
Bom, quero concluir agradecendo por ler um artigo tão instigante de alguém que ama a reflexão, e anseia por uma evolução na teologia brasileira.
Abraço.

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado professor J.Lima, obrigado por sua participação nesse blog. Concordo plenamente com sua posição crítica, principalmente a respeito da Teoogia da Libertação.

Um abraço

Ângelo dos Santos Monteiro, disse...

Pr. Esdras,

Excelente sua postagem, pois reflete, infelizmente, a realidade da aplicação de nossas teologias, que por vezes se tornam pessoais. Penso que temos de um lado uma teologia acadêmica que preza pelo exercício teórico, de outro lado, temos a pastoral que prima pela prática, mas muito pouco teórica e reflexiva. E você tocou num ponto chave, chamado "práxis", acho que precisamos muito disto, uma teologia integrada que desenvolva uma prática pautada na crítica e na reflexão.

TEOLOGIA & GRAÇA: TEOLOGANDO COM VOCÊ!



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