DÁ INSTRUÇÃO AO SÁBIO, E ELE SE FARÁ MAIS SÁBIO AINDA; ENSINA AO JUSTO, E ELE CRESCERÁ EM PRUDÊNCIA. NÃO REPREENDAS O ESCARNECEDOR, PARA QUE TE NÃO ABORREÇA; REPREENDE O SÁBIO, E ELE TE AMARÁ. (Pv 9.8,9)

sábado, 30 de outubro de 2010

Os Sofrimentos da Mulher de Jó


Mulher esquecida e incompreendida pela modernidade, assim defino inicialmente a mulher de Jó. Este patriarca sim, paladino da fé, suportou todas as vicissitudes e flagelos dócil e humildemente. Ele é símbolo de perseverança, paciência e retidão (Jó 1.1,22), mas a mulher desse sofredor...., no mínimo, ainda é chamada de louca ou néscia (Jó 2.10).

Mulher anônima, a quem a tradição posterior chamou de Sitis, aparece em Jó 2.9,10 e não é mais mencionada no livro, embora nada sugira sua morte, ou abandono do lar.

Ela era uma mulher nobre, respeitada por todos, e considerada afortunada para os mais antigos e de sorte para as donzelas da região. Seu marido era um homem sábio, fiel à sua família, riquíssimo e temente a Deus. O homem mais poderoso do Oriente. Seus filhos, saudáveis e belos. Suas filhas eram mulheres decentes, educadas e belas. Centenas de servas e servos estavam espalhados pela bela casa, fazendas, plantações (Jó 1.3). Sitis era uma mulher riquíssima que ajudava na administração da casa, dos servos domésticos; um elo de unidade familiar (Jó 1.2). Seus sete filhos e três filhas periodicamente reuniam-se ao redor da mesa para desfrutarem de seus conselhos, sapiência e virtudes (Jó 1.2,4). No período patriarcal o número dez era símbolo de completude, de abundância e prosperidade. Era a mulher mais poderosa, afamada e respeitada de todo o Oriente (Jó 1.3). Jó amava-a muitíssimo; suas filhas provavelmente espelhavam-se no zelo, discrição, beleza e sabedoria da mãe. O lar de Sitis era um paraíso cravado no Oriente (Jó 1.10).

Essa mulher, “ossos dos ossos” e “carne da carne” de Jó, no entanto, viveu as primeiras calamidades da vida do patriarca. Próximo a Jó ouvira que seus servos foram mortos e os seus rebanhos confiscados pelos sabeus. A notícia era ruim, mas suportável. Note a descrição do versículo 13, que destaca a efusiva alegria da reunião familiar na casa de seus filhos (“comiam e bebiam vinho na casa de seu irmão primogênito”), e a calamidade súbita que toma conta do restante da narrativa. Essa narrativa que antecede e moldura as tragédias de Jó será depois desconstruída no versículo 19.

O mensageiro ainda não terminara o anúncio fúnebre quando imediatamente outro mordomo anunciou: “Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu” (v.16). A mulher de Jó fica espantada com a sucessão de tragédias que se sucedem sucessivamente sem cessar. Perde o fôlego, aproxima-se do marido para apoiá-lo... quando então, novamente, outro desastre, dessa vez arquitetado pelos caldeus que, em três bandos, roubam os camelos e ferem os servos (v.17). Mas o pior ainda estava para acontecer. Um servo aproxima-se esbaforido, com ar de cansaço e pesar. Tem receio do que vai dizer. Durante o trajeto ensaiara diversas vezes, até soltar o verbo flamífero: “Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo, eis que um vento muito forte sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram” (Jó 1.18,19).
O vento da desventura e sortilégio, gélido como a morte, implacável como a desgraça. Quem é suficiente forte para resistir suas lanças inflamadas? Como reagir diante de tanta calamidade e dor? Sitis chora amargamente a morte de seus filhos. Se isso não bastasse, vê o seu marido rasgar suas vestes, rapar sua cabeça e cumpridas barbas, símbolos de sua posição social superior, e lançar-se em terra adorando a Deus. Apesar da dor que aflige sua alma abatida olha com carinho e respeito o gesto humilde e devoto de seu marido. Somente a fé e a comunhão com Deus dão ao aflito a esperança e a força para vencer as vicissitudes. É nessas ocasiões que a comunhão do crente com Deus faz toda a diferença. A resiliência e o ânimo para continuar a lida depois de uma grande calamidade são resultados de uma vida de fé, comunhão com Deus e relacionamentos corretos. Jó, como os pequenos ribeiros orientais em período de estio, vê a sequidão tomar conta de si, no entanto, estivera durante muito tempo da vida plantado junto a ribeiros de águas; suas folhas não murchariam e os seus frutos viriam na estação própria (Sl 1). Dizia um antigo provérbio oriental que o “justo nunca será abalado” (Pv 10.30).

Os dias de luto ainda não estavam completos. Parentes distantes e amigos próximos reuniam-se na casa de Sitis para apoiá-la e ao marido, Jó. Os melhores amigos nascem nos períodos de sequidão e angústia (17.17). Autoridades do Oriente chegavam à casa do infortúnio. Ouvia-se os murmúrios das carpideiras, que se revezavam em seus turnos. Os cancioneiros entoavam suas elegias, e os sábios do Oriente procuravam entender a tragédia humana. Sitis chorava desconsoladamente. A dor e angústia apertavam seu corpo, como se a estivessem comprimindo em um pequeno vaso de cerâmica. Olhava para Jó e se inspirava na fé, piedade e devoção de seu marido. Ele em nenhum momento blasfemou ou se queixou de sua sorte (Jó 1.22). Junto aos sábios do Oriente, ouvia-o dizer: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21). Todos ouviam, admirados, a fé e perseverança de Jó em Deus. Procuravam algum altar na casa, ou artefatos que materializassem o Deus de Jó, mas nada encontravam. Diferente dos tolos adoradores de ídolos do Oriente, Jó confiava no Deus Invisível, Espírito eterno e imutável em seu ser.

Passados os dias de luto, Sitis e Jó procuravam retomar as atividades diárias. Todavia, sentiam dificuldades de recomeçar. Reconstruir a casa que desabara sobre as crianças era uma dúvida latente. Aquele lugar trazia boas recordações. O lugar que as crianças cresceram e a velha árvore com as marcas de suas brincadeiras traziam lembranças tão vívidas como o vento outonal que derrubava as folhas das árvores e pintavam o chão de tons marrons e cinza. Nada diziam um ao outro, apenas apertavam firmemente as mãos. Todas as palavras foram expressas naquele aperto de mãos. Nunca saberemos exatamente o que disseram. Apesar da tristeza, estavam unidos, apoiando um ao outro.

Alhures, absorto com os últimos acontecimentos, Sitis percebe que pequenas chagas começam alastrar-se sobre o corpo de seu marido. Imediatamente, os melhores médicos são consultados, especialistas na arte da cura entram e saem da casa do patriarca. Sitis se mantém firme cuidando de Jó; tratando das feridas de seu amado; procurando suavizar a dor com as especiarias, óleos de vários gêneros, alguns importados. A chaga se espalha mais ainda, desde a planta do pé até ao alto da cabeça (Jó 2.7). Longe de Jó ela chora, sente as lágrimas quentes caminharem pelas linhas de sua pele até caírem e se desfazerem lentamente ao chão. “Senhor porque me provas?”, murmurava. “Não basta os meus filhos?” “Agora tu queres o meu marido Jó?”, balbuciava. Os médicos diagnosticaram que a doença era maligna, incurável. Erupções e prurido intenso destilavam do corpo de Jó (2.7,8). Os bichos insaciáveis se alimentavam do corpo putrefato (7.5), e os ossos daquele homem forte se desfaziam como torrão de madeira apodrecida (30.17). A pele de Jó perdera toda elasticidade, suavidade e beleza (30.30). Até no sono era atormentado por pesadelos (7.14).

Sitis olhava para todo aquele sofrimento. O cheiro dos florais da primavera paulatinamente foi expulso por uma mistura de pus, sangue e carne putrefata. Nem ela mesma conseguia cuidar de seu marido. A praga alastrara por toda casa. Ela gastara as últimas reservas financeiras no tratamento do marido moribundo. Investira todos os seus recursos para curar a Jó, mas a sentença médica era apenas uma: “Nada podemos fazer, só um milagre”. Sitis sofria, inconsolável... A esperança escapava por entre os seus dedos como as águas ribeirinhas. Lembrava dos momentos em que ela era considerada uma mulher bem-aventurada, rica, com filhos e filhas para lhe consolar, um marido próspero que a amava. Mas agora, tudo lhe havia sido tirado, à uma. O que você faz quando a calamidade bate à sua porta e, sem pedir licença, carrega para sua família toda desventura conhecida? A quem você recorre?

Certo dia, Sitis vê o seu marido no meio da cinza com um pedaço de cerâmica raspando as feridas. Olha e um sentimento acre-doce lhe invade a alma aflita. O grande príncipe Jó no monturo da cidade, como um pária. Sitis perde definitivamente a esperança. Aproxima-se do moribundo, sente pena do marido, fecha os olhos, aperta-os e a seguir dispara: “Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2.9). Nenhum sofrimento pode ser maior do que a confiança e fidelidade a Deus. O Senhor jamais permitirá que sejamos tentados acima de nossas forças. Sitis achava que já havia chegado ao limite. Assim como os servos de Jó foram preservados da morte para levarem a notícia calamitosa ao patriarca, a esposa parece que fora guardada todo esse tempo para destalingar esse último chicote. Sem o saber, pensando que a morte seria a melhor solução para o marido, Sitis empresta sua boca ao Tentador incitando Jó a se rebelar e amaldiçoar a Deus. O que você faz quando toda a esperança se esgota? Sitis em vez de confiar em Deus acima de todas as coisas; em vez de amar ao Senhor pelo que Ele é, deixou-se levar pelas circunstâncias atrozes, fundamentada em um relacionamento de troca com Deus. Para muitos a morte é a solução para uma vida de infortúnios e desajustes domésticos. Contudo, sempre há uma esperança para aqueles que confiam em Deus.

Jó olha para sua esposa, e a fita com ternura e carinho. Sitis sente o tempo congelar por alguns instantes. Embora o tabernáculo terrestre de Jó estivesse se desfazendo, seu edifício eterno estava preparado por Deus (2 Co 5.1). Os olhos de Jó traziam um brilho vivaz, contagiante, embora todo o restante dissesse o contrário. Lembrava muito o olhar de Jesus quando Pedro o negou. Carinhosamente afirma: “Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal?” (Jó 2.10). O sábio Jó afirmara que sua esposa, em seu desespero e dor, falava como uma pessoa sem entendimento; como alguém que ele não conhecia. Sitis fica desconcertada diante da afirmação do marido. Reflete a respeito do assunto. Lembra das muitas orações de Jó feitas em gratidão ao Senhor. E ali mesmo reconsidera... Cala-se e desaparece do cenário até o final do livro de Jó quando Deus restitui-lhe todas as coisas. Embora não seja mencionada no final do livro, não há razões para se duvidar de sua presença. Ela é a esposa incansável que esteve com o marido nos piores momentos e circunstâncias, mas que, em certo momento, perdeu as esperanças, mas a recobrou através da piedade e devoção de seu marido.
(Prezados coblogueirantes, por recomendação de nosso irmão e amigo João Paulo Mendes, segue o link do blog do irmão Carlos Augusto Vailatti: Livrando a Mulher de Jó do Banco dos Réus. Esse artigo ajudará a compreender melhor a pergunta feita pelo Pr. Marcello de Oliveira.

31 comentários:

Francisco Araújo Netto disse...

Excelente, brilhante interpretação...

Att.,
http://wwwteologiavivaeeficaz.blogspot.com/

Profº Netto, F.A.

Marcello de Oliveira disse...

Shalom!

Ótimo artigo. Agora, se permite, o original diz no texto de Yov 2.9:

"[..] barekh elohim vamut". Ora, "barekh, ou barukh" - nunca foi amaldiçoa!

1º) É impossível amaldiçoar a Deus.

2º) "Barekh, Barukh" (Louve, Bendiga) é muito melhor e se encaixa melhor dentro da cultura judaica, visto que o yehudy sempre ora ao Eterno, por exemplo: antes de ler a Torá, antes da alimentação, e mesmo na hora da morte.

3º) Será que ela não queria dizer: "Bendiga, louve ao Eterno e agora vc pode morrer Yov ?!

abraços, Pr Marcello

P.s>> O Mensageiro da Paz da edição de novembro, publicou meu aritgo: Afinal, quem é a Rosa de Saron - na pág 22. Confira!

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene
Prezado Francisco, obrigado por suas palavras motivacionais e participação no Teologia & Graça.

Esdras

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Pastor Marcelo, muito obrigado pela informação e pelo conselho implicito de conferir o original. Verificarei a informação e ainda essa semana, voltarei a comentar o assunto.

Esdras

klebersantos disse...

A Paz do Senhor jesus!Pr:Esdras.

Exelemte texto!.parabens...
estarei aguardando o senhor,nos dias 13,e 14 de novembro aqui em camaçari querendo Deus...amém.
vai ser um prazer da minha parte, ouvir e ver,um pregador e ensinador,que tem compromisso com Deus e a sua Palavra.

um abraço
Em Cristo Jesus
kleber de sá

Elizabeth disse...

Pr. Esdras, muito bom mesmo este artigo, um estudo, assim como os outros. Uma boa fonte de pesquisa. Agora, aproveitando, parabéns pela mensagem trazida pelo senhor, no domingo, em nossa igreja no Recreio. Mensagem completa. Com Riquíssimo conteúdo teológico. Excelente contextualização. Pastor, ainda tem crentes que vê a Bíblia, apenas como um livro devocinal, comentávamos isto com um professor de igreja reformada, em nosso estágio. O senhor, articulou muito bem, sobre á " fé genuína". Em contraste com a fé (??) fabricada.
Paz.

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene
Prezado Kleber, obrigado pela participação no Teologia & Graça. Estaremos, se assim Deus permitir, pregando e ensiando a Palavra de Deus.

Um abraço

Esdras

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene
Prezada irmã Elizabeth, obrigado por suas palavras motivacionais e opinião. Foi uma alegria compartilhar a Palavra de Deus naquela noite. Deus abençoou a todos.

Abraços
Esdras

André Rodrigues disse...

Pr. Esdras, a Paz do Senhor!

Lhe admiro bastante. O tenho como um dos melhores teólogos do Brasil. Tenho seus livros, e aprecio com muita admiração.

Possuo também um Blog, onde lá está uma recomendação para o Teologia e Graça, gostaria se possível, que o Sr. colocasse o meu blog em sua lista, sentiría-me muito feliz.

htpp://rabiakiba.blogspot.com/
ou no Google: Teologia em Alta.

Desde já, Grato!

André Rodrigues, seu servo, servo de seu servo e servo de Seu Senhor!

Josiel Dias disse...

Olá meu querido Pastor Esdras Graça e Paz.

Como é maravilhoso encontrarmos textos que nos fortaleça na fé, não é mesmo? Parabéns pelo maravilhoso trabalho, muito edificante.
Gosto da forma que escreves.
Como sempre tenho dito: Aprendendo uns com os outros crescemos na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Gostaria de aproveitar a oportunidade e compartilhar o nosso “blog”:Gostaríamos muito de contar com sua visita e comentários. Deus te abençoe ricamente.

“Mensagem Edificante para Alma”
http://josiel-dias.blogspot.com/


Josiel Dias
Cons. Missionário
Congregacional
Rio de Janeiro

Valmir Nascimento disse...

Pastor Esdras,

Nunca havia olhado a vida da mulher de Jó por esse prisma. Excelente reflexão!

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Pastor André, muito obrigado por suas palavras motivacionais e pelo incentivo. Já coloquei o seu blog em nossa lista.

Um abraço

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado irmão e amigo Valmir, obrigado pelo incentivo. Estou preparando um post a respeito da pergunta do Pastor Marcelo a respeito do original hebraico de Jó 2.9: A mulher de Jó mandou o marido abençoar ou amaldiçoar a Deus?

Um abraço

João Paulo Mendes disse...

Caro Pr Esdras, a paz do Senhor

Excelente reflexão.
Sobre a questão do Pr Marcelo quero também comentar: é que já havia notado comentários algumas obras no mesmo sentido que o Pr Marcelo o fez, na verdade foram dois:

1) Shedd em nota na Bíblia de estudo que leva seu nome:
"Amaldiçoa. Heb. bãrekh,'abençoar'. Alíngua hebraica nunca poderia ser empregada pelos piedosos judeus para dizer 'amaldiçoa a Deus'; o contexto da passagem, porém, revela qual a tradução certa"

2) Valter Alexandre Pineiro de Oliveira em "Comentário Textual Bíblico" (Ed Autor da Vida:
Tradução literal do texto de Jó 2.9:" E disse para ele sua mulher: ainda tu estas forte, duro, firme e em tua integridade? Abençoa, louva Elohim e morra.

Tradução Almeida
Então, sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre.

Comentários do autor:
Este texto foi responsável pela iniciativa de se escrever este Comentário Textual devido a sua clara contradição entre a traduação corrigida de Almeida com os originais em hebraico. Muitos pregadores, sem conhecimento, já reduziram a mulher de Jó a uma posição inferior por causa da maldição que ela sugere ao seu marido. Se assim fosse, seria punida por Deus. No texto original ela não diz alamdiçoa o teu Deus, e sim Abençoa, Louva, a Elohim. Também ela não induz Jó ao suicídio e sim a entregar-se à morte.
A palavra hebraica traduzida como abençoa é encontrada nos melhores originais atuais, sendo observado que a palavra amaldiçoa somente foi colocada em originais da Idade Média, possivelmente por causa dos Massoretas que mudaram o texto por causa do contexto que transcreve uma palavra de repreensão por parte de seu marido.
Ela foi repreendida não pela palavra abençoa, é lógico, e sim pela proposta desanimadora, mesmo ele sendo um homem íntegro diande de Elohim.


Esse foram os dois comentários que li e que vai de encontro ao entendimento que tinha anteriomente.
Já vi acima que o Pr está escrevendo outro artigo sobre a passagem.
Sei que será esclarecedor pois, como em seus escritos, é fiel à exegese bíblica.

Em Cristo,

João Paulo

João Paulo Mendes disse...

Caro Pr Esdras, a paz do Senhor

Excelente reflexão.
Sobre a questão do Pr Marcelo quero também comentar: é que já havia notado comentários algumas obras no mesmo sentido que o Pr Marcelo o fez, na verdade foram dois:

1) Shedd em nota na Bíblia de estudo que leva seu nome:
"Amaldiçoa. Heb. bãrekh,'abençoar'. Alíngua hebraica nunca poderia ser empregada pelos piedosos judeus para dizer 'amaldiçoa a Deus'; o contexto da passagem, porém, revela qual a tradução certa"

2) Valter Alexandre Pineiro de Oliveira em "Comentário Textual Bíblico" (Ed Autor da Vida:
Tradução literal do texto de Jó 2.9:" E disse para ele sua mulher: ainda tu estas forte, duro, firme e em tua integridade? Abençoa, louva Elohim e morra.

Tradução Almeida
Então, sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre.

Comentários do autor:
Este texto foi responsável pela iniciativa de se escrever este Comentário Textual devido a sua clara contradição entre a traduação corrigida de Almeida com os originais em hebraico. Muitos pregadores, sem conhecimento, já reduziram a mulher de Jó a uma posição inferior por causa da maldição que ela sugere ao seu marido. Se assim fosse, seria punida por Deus. No texto original ela não diz alamdiçoa o teu Deus, e sim Abençoa, Louva, a Elohim. Também ela não induz Jó ao suicídio e sim a entregar-se à morte.
A palavra hebraica traduzida como abençoa é encontrada nos melhores originais atuais, sendo observado que a palavra amaldiçoa somente foi colocada em originais da Idade Média, possivelmente por causa dos Massoretas que mudaram o texto por causa do contexto que transcreve uma palavra de repreensão por parte de seu marido.
Ela foi repreendida não pela palavra abençoa, é lógico, e sim pela proposta desanimadora, mesmo ele sendo um homem íntegro diande de Elohim.


Esse foram os dois comentários que li e que vai de encontro ao entendimento que tinha anteriomente.
Já vi acima que o Pr está escrevendo outro artigo sobre a passagem.
Sei que será esclarecedor pois, como em seus escritos, é fiel à exegese bíblica.

Em Cristo,

João Paulo

a verdade do evangelho disse...

Amado biblicista e exegéta, Esdras Bentho, venho ocupar este espaço para sugerir que o amado escreva um artigo sobre os ensinos contraditórios do ex-pastor Bart D. Ehrman. Estou lhe solicitando este artigo porque muitos irmãos tem enfrentado dúvidas ao se depararem com os textos deste crítico da fé cristã. o Dr. Ehrman é um teólogo que já foi pastor e hoje se diz agnóstico. Ele é um historiador e grande pesquisador. É considerado por alguns como uma das maiores autoridades em Bíblia no mundo. Um dos seus livros mais conhecidos no Brasil é o best sellers: O que Jesus disse? O que Jesus não disse? (o qual já lí)Em uma de suas obras mais recentes em portugûes: O problema com Deus,(O qual lí também) ele confessa que o que o levou a abandonar a fé cristã, foi o fato de não entender como um Deus todo-poderoso e amor permite o sofrimento no mundo. Enfim, confiando em vossa capacidade é que lhe solicito o tal artigo, pois já solicitei a vários estudiosos e até agora não obtive respostas.

Pb. Edinei, Th.B

Jacob Pereira disse...

Shalom

Parabéns pela bela exposição!

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Pb. Edinei, já discuti com alguns ateus em um determinado blog a respeito das posições do Dr. Bart D. Ehrman. Já li a a referida obra e comecei a ler a segunda do mesmo autor. Na primeira é perceptível os pressupostos usados por ele para negar a historicidade do Novo Testamento e da autenticidade das Escrituras Cristãs. Saiba que para cada afirmação negativa que ele apresenta temos, pelo menos, duas posições que explicam a aparente discrepância. Não posso prometer fazer algum post a respeito, pois estou sem tempo, mas assim que possível irei tratar da obra, mesmo porque ainda essa semana um pastor de Minas Gerais ligou para mim apenas para perguntar a respeito do assunto em pauta.

Só gostaria de fazer uma pergunta, onde estão os apologistas da blogosfera? Por que cuidam de questões simplórias, mas não tratam de pesquisas agnósticas como essas?

Esdras Bentho

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado irmão e amigo João Paulo Mendes, obrigado por sua colaboração no Teologia & Graça, principalmente referente a esse assunto importantíssimo.

Lamento a demora em responder e também em escrever o artigo referente à interpretação de Jó 2.9, estou com tantas atividades na CPAD, principalmente agora com a finalização do Dicionário de Strong para a Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego, que não consigo tempo para concluir a pesquisa.

Achei uma explicação em uma das obras do Gleason Archer (Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas, editora Vida). Caso eu não consiga terminar o artigo irei publicar as pesquisas do Dr. Archer.

Ao investigar o assunto, descobri que a palavra bãrekh (abençoar, mas traduzido como "amaldiçoar") e seus cognatos aparecem na Bíblia com significados estranhos ao étimo.

O que importuna-me na tradução do vocábulo bãrekh por abençoar em Jó 2.9, é o fato de nenhum tradutor da Bíblia vertê-lo dessa forma.

Nem mesmo as Bíblias hebraicas, traduzidas por competentes tradutores judeus vertem bãrekh por abençoar, mas sim, amaldiçoar. Isso é um ponto importante a considerar. Uma coisa é a tradução do texto bíblico, outra o comentário dele. Lembra-se daquele caso de Gn 1.1,2 em que as pessoas insistem que o hebraico diz “tornou-se sem forma e vazia”, mas nenhum erudito se arrisca em verter o texto da Escritura dessa forma?

Em nossa obra Hermenêutica Fácil e Descomplicada, comento que o conhecimento das línguas originais é muito importante ao estudo e interpretação da Bíblia, mas é necessário uma empatia com o gênio semítico, com os hebraísmos e o modo próprio do hagiógrafo apresentar a revelação escriturística.

Assim, entendo que, embora literalmente o termo bãrekh signifique "abençoar", no caso de Jó 2.9 trata-se, possivelmente, de um "eufemismo perifrástico". De fato a linguagem reverente de um judeu em relação a Deus jamais seria o de amaldiçoá-lo, daí a razão pela qual entendo que bãrekh fora usada com um significado distinto, oposto. Ainda estou investigando, mas parece-me que tudo aponta para essa direção.

Um abraço

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Jacob, muito obrigado pelas palavras motivacionais.

Já respondi aquela observação feita pelo caríssimo irmão, caso não esteja satisfatória é só "reclamar", srsrsr.

Um abraço

a verdade do evangelho disse...

Amado Teólogo e Exegéta, Dr. Esdras Bentho muito obrigado por responder a minha solicitação, pois apesar de ser um homem ocupadíssimo na obra, ainda acha tempo para dar atenção aos que lhe solicitam através do blog.
Você fez uma pergunta interessante: "Onde estão os apologistas da blogosfera?" pois ultimamente tenho visto alguns irmãos se digladiando em seus comentários por discordar de algum ponto de vista no que diz respeito a interpretação biblica, mas não tenho visto um esforço em escrever artigos de caráter evangelísticos e apologéticos para a conversão de descrentes que porventura vier acessar um desses blogs.

Pb. Edinei, Th.B

klebersantos disse...

A Paz do Senhor Jesus!,Pr; Esdras Bentho...

Excelente elucidação do assunto,fico muito alegre em saber que o senhor se importa com os esclarecimentos dos assuntos ou temas em debate!

Parabens!!!!!

vou te incomodar mais um pouquinho!!!!(rsrsrsrsrs)
gostaria se possivel,e quando tiver um tempo,ou publicar no seu blog,ou me mandar por imail um artigo falando sobre as definiçoes e conseitos de FÉ(hermenêuticamente e exegéticamente falando)...pois a sua pregação de domingo,foi de extrema importância pra mim!!!!

Que o Eterno Deus e Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo,vos abençoe....

Em Cristo Jesus
kleber de sá.

João Paulo Mendes disse...

Nobre Pr Esdras,
Obrigado por responder de forma tão cuidadosa e completa.

Sobre a passagem de Gn 1.2 também vi que há estudiosos que admitem que a palavra "era" deveria ser traduzida por "tornou-se", mas como o Pr disse, ninguém se arriscou a fazê-lo.

Sobre o tema do artigo permita-me acrescentar mais um comentário, há uma versão que traduz a palavra bãrekh por abençoar, foi isso que constatei na vulgata, veja:

"Dixit autem illi uxor sua:
“ Adhuctu permanes in simplicitate tua?
Benedic Deo et morere ”.


Embora não tenha intimidade com o idioma parece ser clara a tradução por abençoar.

Para finalizar, um blogueiro evangélico, que estuda hebraico, postou um artigo sobre a passagem (http://blogdovailatti.blogspot.com/2009/03/livrando-mulher-de-jo-do-banco-dos-reus.html), lendo-o pareceu-me equilibrado o artigo.


Que o Senhor nosso Deus continue abençoando-o, e capacitando-o.

Em Cristo,

João Paulo.

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado João Mendes, muito obrigado por mais essa contribuição, que revela a necessidade de se fazer uma exegese cuidadosa levando em consideração todos os aspectos possíveis.

Vou conferir o link!

Mais uma vez, obrigado por essa oportuna observação.

Esdras

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Kleber foi uma honra participar da festividade de 26 anos da igreja de Camaçari, Bahia.

Eu havia feito um estudo exegético sobre a fé na Bíblia, mas não me lembro onde está o arquivo. Se eu achar mando por e-mail ou publico no blog.

Obrigado

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Kleber foi uma honra participar da festividade de 26 anos da igreja de Camaçari, Bahia.

Eu havia feito um estudo exegético sobre a fé na Bíblia, mas não me lembro onde está o arquivo. Se eu achar mando por e-mail ou publico no blog.

Obrigado

klebersantos disse...

A Paz do Senhor Jesus!, Pr:Esdras Bentho.

Amém pastor!!...,desde já fico mais uma vez grato pela sua atenção.
caso queira mandar por imail o artigo,meu imail é esse....

{klbsantos300@gmail.com}
{k.lb.santos@hotmail.com}

Em Cristo Jesus
kleber de sá

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Kleber, estou ainda sem tempo de procurar aquele artigo e enviá-lo. Tão logo encontre tempo para isso o farei.

Um abraço
Esdras Bentho

Diácono Rodrigues disse...

Caro Pr Esdras maravilhosa interpretação não há como não se emocionar por tamanha profundidade no texto.
Aproposito o amado ficou de comentar sobre a informação do Pr Marcelo de Oliveira, no aguardo do breve comentário...

Samuel da Silva disse...

Apaz do Senhor meu irmãos fiquei muito alegre com o poste e com todos os comentários concernentes, entender que a Bíblia foi traduzida com erros é no mínimo um ponto para descadear uma serie de problemas pra os nossos dias, agora se me permite, digo como entendo. Satanás pede pra tocar nas coisas que ele achava que estava o coração dEle (Jó) tira os bens, tira os filhos, tira a até a sua saúde, mas Jó continua firme, veja que Ele tinha alguém pra lhe consolar pra está ao seu lado pra sentido a continuar a viver, mesmo um cadáver vivo, Ela não se afastou de perto dEle. amaldiçoar a Deus nesse texto não vejo nenhum problema em aceitar por que o momento que essa mulher estava passando explica até algo pior Ela nunca tinha visto algo assim, não tinha a experiência que nós nos dias atuais temos, Ela não TVs pra mostrar as filas de hospitais como aqui na Bahia temos o HGE, que pra entrar ali tem de ter estomago forte, nunca se registrou algo parecido para que Ela poderce se consolar, uma vez que não sabemos o tempo de duração dessa penúria, se um ano ou dez, só sei que Ela não estava aguentando ver o amado dEla sofrer tanto, e para satanás ver que mesmo que a única pessoa que poderia aguentar junto com Ele, mesmo que se lhe faltasse Ele ainda seria fiel ao Deus que Ele mesmo disse que não o conhecia.

Jarlene disse...

Gostaria de esclarecer uma dúvida, pois a vida da mulher de jó me chama muita atenção. Se o que dizem que a mulher de Jó mandou ele abençoar a Deus e morrer e não amaldiçoar, porque depois de falar isso( abençoa teu Deus e morre) Jó disse que ela falava como louca? pois se ela mandou amaldiçoar, entendemos as palavras de jó, mas se ela disse para abençoar qual a explicação para as palavras dele?

TEOLOGIA & GRAÇA: TEOLOGANDO COM VOCÊ!



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