DÁ INSTRUÇÃO AO SÁBIO, E ELE SE FARÁ MAIS SÁBIO AINDA; ENSINA AO JUSTO, E ELE CRESCERÁ EM PRUDÊNCIA. NÃO REPREENDAS O ESCARNECEDOR, PARA QUE TE NÃO ABORREÇA; REPREENDE O SÁBIO, E ELE TE AMARÁ. (Pv 9.8,9)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Os Decretos Divinos e a Origem do Mal (Fim)




O Livro de Jó. Ilustração de William Blake



O Mal Natural e o Mal Físico

O mal natural são os males ocorridos por causa da desordem física e decadência do Universo que assolam a humanidade através das calamidades naturais (terremotos, furacões, vulcões), das pandemias (Aids, Ebola) que afetam a existência humana, das enfermidades tanto curáveis quanto incuráveis, dos desastres acidentais, e por fim, o mais doloroso de todos eles – a morte física. [1]
O mal natural está ligado a maldição que Deus pronunciou contra a terra (Gn 3.17,18), como conseqüência da desobediência humana. Embora a humanidade racionalista e afastada de Deus encontre explicações científicas para os diversos tipos de catástrofes naturais, a Bíblia, contudo, declara que o surgimento desses males está ligado diretamente ao pecado original. O Universo deixa a sua ordem original em direção ao caos.


Esta desordem é usada por Deus para afetar o pecado dos homens. É assim que diversas cidades bíblicas foram afetadas por elementos físicos como forma de punição divina, como por exemplo, Sodoma e Gomorra (fogo e enxofre), o mundo pré-diluviano (dilúvio), as dez pragas do Egito, e a morte da família de Coré.[2]


Essas ações demonstram que Deus possui total controle sobre a desordem física do Universo ou mal natural e, desse modo devemos entender o texto de Isaías 45.7: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas”. O texto cuja estrutura é um paralelismo que emprega a antítese [3] entre os vocábulos principais de cada linha e o sinonísmo entre as duas linhas, faz contraste entre luz e trevas, paz e mal, e dentro da direção que o texto conduz, “mal” deve ser entendido como o mal provocado pela guerra, catástrofes, etc., e não aquele que induz o homem ao pecado.[4]

É assim que Jó responde a sua mulher: “Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios” (Jó 2.9,10). Jó atribui a Deus todos os seus infortúnios, como sendo ele aquele que permitiu cada uma das suas agruras, embora saibamos que Deus permitiu, mas não o causou.

Aliado ao mal natural está o mal físico. Este é involuntário, resultante da finitude das criaturas. É uma penalidade que o homem sofre como conseqüência do pecado original. Este mal ocorre involuntariamente como um infortúnio à criatura. Pode estar relacionado desde a um mal ou doença congênita até aquele adquirido pelos acidentes ou doenças transmissíveis. Este mal também tem estreita relação com o pecado original, sendo conseqüência deste embora seja distinto. Deus criou o homem em estado de integridade, não apenas espiritual e moral, mas também fisicamente. A morte física é, entre outros males, uma das punições mais severas resultantes do pecado original. É um mal que assola o homem e o mesmo que foi dito a respeito das doenças e infortúnios cabe igualmente nessa proposição. Deste modo entendemos, pois, que toda criação está sujeita à vaidade e à escravidão da corrupção, até que se realize a redenção completa dos filhos de Deus (Rm 8.20-23).

O Mal Moral


O pecado ou mal moral, embora fosse anterior a criação do homem, entretanto, teve sei início na história da humanidade através da tentação. A Bíblia intitula o mal moral de pecado, fracasso, erro, iniqüidade, injustiça, impiedade, transgressão e contravenção. Esse é o problema que assola o mundo e, dele resultam as outras tragédias descritas no mal natural e físico. Podemos observar essas formas de mal operando na experiência humana de modo insofismável.


O sofrimento de Jó e o mal. A Escritura também descreve a ocorrência deles simultaneamente. No prefácio do livro de Jó encontramos o mal como uma entidade pessoal (Satanás 1.7-12), o mal moral (a violência cometida pelos sabeus,1.13-15, 17 (caldeus), o mal natural (v.16,18-19, fogo do céu; grande vento), o mal físico (tumores malignos).

O contexto do livro deixa muito claro que embora o homem possa ser tentado pelo mal pessoal, assolado pelo mal natural e físico, pode ele mesmo, manter-se íntegro e evitar o mal moral: “Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoas a Deus e morre. Mas ele lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios” (Jó 2.9,10).

O estudo do mal moral nos dirige à origem do pecado na história da humanidade. A Escritura ensina que o mal moral teve início com a transgressão de Adão, e que esse ato foi inteiramente voluntário, como escolha pessoal de Adão e sua esposa Eva. Pelo primeiro pecado, o homem tornou-se “escravo do pecado”. Adão pecou não somente como pai da raça humana, mas também como cabeça representativa de todos os seus descendentes. Logo, todos são pecadores e destituidos estão da glória e graça de Deus. É necessário que o homem aceite a Jesus como seu único suficiente Salvador e Senhor pessoal. Cristo é a solução para o mal moral, físico, natural e espiritual.

Notas


[1] BENTHO, Esdras Costa. Decreto divino: para os que não crêem nenhuma explicação é possível, para os que crêem nenhuma explicação é preciso. Joinville: Verbum Editora, 2000, p.21
[2] Este evento em especial narrado em Números 16.30-34 é significativo. Gordon J. Wenhan, declara que “é possível que as tendas de Coré, Datã e Abirão estavam armadas sobre um Kewir, ou seja, uma placa de lama endurecida na superfície, mas pantanosa por baixo. Se a costa de um Kewir se rompe, as pessoas que estiverem sobre ele são tragadas da forma como descreve Números 16.30-34. Kewis como este se encontram no Arabá, que se estende na direção sul, do Mar Morto até o Mar Vermelho”. WENHAN, Gordon J. Números: introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Mundo Cristão e Vida Nova, 1985, p.144-5.
[3] É aquele em que o segundo elemento faz agudo contraste com o primeiro. Embora encontremos relação contrastante dentro de cada linha do verso, permanece a sinonímia entre as duas primeiras linhas do discurso.
[4] Uma análise minuciosa do capítulo revelará tratar-se da libertação do povo do cativeiro através da instrumentalidade de Ciro, assim o Senhor foi tanto o responsável pelo mal do cativeiro judaico quanto pela sua libertação (o bem).

Referência Bibliográfica

BERKHOF, Louis. Manual de Doutrina Cristã, 2ª ed., 1992, MG, CEIBEL.
______ A História das Doutrinas Cristãs, 1ª ed.,1992, SP, PES.
______ Teologia Sistemática, 1ª ed.,1990, SP, Luz Para o Caminho.
BROWN, Colin, ed. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, 1ª ed., 1981, SP, Vida Nova.
CHAFER, Lewis Sperry, Teologia Sistemática, VI, 1ª ed., 1986, SP, IBR.
CHAMPLIN,R.N.; BENTES, J.M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, 1991, SP, Editora Candeia.
ELWELL, Walter A. ed. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, 1ª ed., 1988, SP, Vida Nova.
FRIBERG, Barbara; FRIBERG, Timothy, ed. O Novo Testamento Grego Analítico, 1ª ed., 1987, SP, Vida Nova.
GINGRICH, Wilbur F.; DANKER, Frederick W. Léxico do Novo Testamento, 1º ed., SP, Vida Nova.
HARRIS, R, Laird, (et alii), Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, 1ª ed., 1998, SP, Vida Nova.
HORTON, Stanley M. (ed.) Teologia Sistemática, 1ª ed.,1996, RJ, CPAD.
PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, 7ª ed., 1978, SP, Vida.
TEIXEIRA, Alfredo Borges. Dogmática Evangélica, 2ª ed., 1976, RJ, Livraria e Editora Pendão Real.
THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática, 1ª ed.,1987, SP, IBR.

10 comentários:

Vosso Servo disse...

OBAAAAAAAAA!

Um curso gratuito!!

Q legal!

Aguardo ansioso! Vou espalhar a notícia para todos meus colegas da igreja!

DEUS O ABENÇOE!

Vosso Servo disse...

Passei a informação para os meus contatos.

Dentre os que se interessaram, um jovem diácono me fez a seguinte pergunta:

- O Curso emitirá algum tipo de CERTIFICADO? É gratuito?

Bom, fica aí a pergunta...

Um abraço na paz do SENHOR JESUS

Anônimo disse...

Amado pastor, a Paz do Senhor Jesus.
Suas abordagens são sempre perfeitamente colocadas para todos os temas abordados (Glória a Deus). Mas, se possível, gostaria de ver um comentário exegético acerca de um tema que mexeu com a igreja on de congrego. O tema é "Unção de enfermos". Quando texto bíblico fala de Presbíteros ele se refere ao cargo ou ao Ançião. Deus continue iluminando sua mente.

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene.
Prezado irmão (anônimo), a respeito da unção dos enfermos não é necessário efetuarmos uma exegese crítica, pois o tema não apresenta muitas dificuldades. Quando Jesus enviou os Doze, deu-lhes a nobre missão de curar os enfermos (Mt 10.1.5-14; Mc 6.6-12; Lc 9.1-6). Nenhum dos sinópticos afirmam, nessas passagens, que Jesus ordenou a unção com óleo sobre os enfermos: “Curai os enfermos”, afirmam. No Evangelho de Marcos, entretanto, é preservado o logion de que “Eles saíram e pregaram ao povo que se arrependesse. Expulsavam muitos demônios e ungiam muitos doentes com óleo, e os curavam” (Mc 6.12). Ao que parece, não era necessário aos evangelistas Mateus e Lucas explicarem esse costume judaico. Os sinópticos, porém, concordam que Jesus concedeu “autoridade” aos discípulos para tal empreendimento (MT 10.1; Mc 6.10; Lc 9.1). Quer use óleo, quer não, basta autoridade concedida por Jesus. De nada adianta o emprego do óleo sem a devida autoridade outorgada por Jesus. Lembremos que o uso do óleo era muito comum entre os judeus, principalmente pelo caráter medicinal do mesmo. No texto de Tiago, preserva a tradição judaico-cristã de se ungir os enfermos com óleo (Tg 5.14). Não se esqueça do uso metafórico do óleo no texto bíblico.
Não sei se está à sua disposição o excelente estudo de Guenter Bornkamm a respeito do verbete Presbítero, inserido no livro “A Igreja do Novo Testamento”, Gerhard Kittel; se estiver, leia atentamente.Caso não esteja, leia o nosso estudo concernente os “anciãos” neste blog, pois discutimos um pouco sobre essa classe no AT. Entre os judeus tratava-se de uma classe que detinha autoridade sobre os judeus e dirigiam o Sinédrio, esse mesmo conceito, foi repassado àqueles que foram chamados ao ministério cristão, de tal forma que o termo episkopeo é traduzido por “ancião” ou “presbítero”. Parece que em algumas comunidades com maioria judaica utiliza-se mais ancião, enquanto, presbítero nas gentílicas. Mas trata-se, na verdade, de um ofício eclesiástico que continuou após a morte dos apóstolos.

Caso essa resposta não o satisfaça, deixe suas dúvidas.
Um abraço
Esdras Bentho

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

"Vosso servo", muito obrigado pela divulgação do curso. Quanto ao certificado estamos estudando essa possibilidade.

Um abraço
Esdras Bentho

Faculdade Teológica disse...

Parabens muito bom seu Post!!!!
Abs!
Faculdade Teológica

Faculdade Teológica disse...

Parabens muito bom seu Post!!!!
Abs!
Faculdade Teológica

Faculdade de Teologia disse...

Parabens muito bom seu Post!!!!Fik c paz d cristo!!!
Abs!
Faculdade Teológica

luciano dias disse...

Maravilhoso comentários para nos
Agregar conhecimento . Parabéns professor que Deus o abençoe!

luciano dias disse...

Parabéns pastor pelo comentário riquíssimo para nós que apreciamos estudar teologia .Deus o abençoe!

TEOLOGIA & GRAÇA: TEOLOGANDO COM VOCÊ!



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