DÁ INSTRUÇÃO AO SÁBIO, E ELE SE FARÁ MAIS SÁBIO AINDA; ENSINA AO JUSTO, E ELE CRESCERÁ EM PRUDÊNCIA. NÃO REPREENDAS O ESCARNECEDOR, PARA QUE TE NÃO ABORREÇA; REPREENDE O SÁBIO, E ELE TE AMARÁ. (Pv 9.8,9)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Novos Professores para uma Nova Igreja


Não haverá uma nova safra de crentes se não houver uma nova classe de professores da Escola Dominical! Não se pode imaginar um futuro para a igreja sem educadores. Muitos acreditam que o professor da Escola Dominical é dispensável. E de fato o é, mas de qual docente estamos falando?

Certos professores são dispensáveis, assim como certos pregadores também o são. É claro que assim como não posso generalizar o último também não devo fazê-lo em relação ao primeiro. A falácia de que os professores dominicais são desnecessários à igreja é uma tentativa malsã de, parafraseando Paulo Freire, “retirar a boniteza do sonho de ser professor de tantos jovens cristãos nesse Brasil”.

Em um país que ideologicamente aprendeu a escamotear e a desvalorizar o professor, não ignoro que muitos líderes cristãos também desprezem esse importante e insubstituível ofício na igreja. Nalgumas vezes, eles parecem ter razão. Alguns docentes há muito deveriam ter pendurado a batuta:

  • Ainda continuam lendo integralmente a revista da Escola Dominical;

  • Não usam qualquer tipo de método;

  • São incapazes de comentar com profundidade teológica o tema da lição;

  • Reclamam que o assunto é repetido;

  • Além de se colocarem nos holofotes de seus cargos eclesiásticos.

Sim, esse é o perfil do professor desnecessário, substituível, que não quero para a igreja deste novo milênio. Tal ensinante é inútil à renovação da igreja.
Ele é:

  • Monocultural, como afirma Luiza Cortesão [1], incapaz de abrir-se ao novo, à renovação;
  • Taciturno, perdeu a alegria de ensinar e, por pouco, não perde a satisfação de viver.
  • Dogmático, protege os erros teológicos do sistema para preservar sua própria posição na denominação

  • Iludido, pensa estar cumprindo os propósitos do Reino de Deus. Na verdade, ele se colocou na porta da EBD e não permite que ninguém mais a atravesse.

  • Resistente, não admite qualquer mudança de paradigma na educação cristã, embora ele mesmo não saiba explicar suas práticas de ensino-aprendizagem.
Não resta dúvida, essa classe de professor perdeu o rumo, o telos, o sentido daquilo que faz e não consegue uma resposta às perguntas: por que ensino? por que sou professor?

Entendo que professores renovados produzirão uma igreja viva e saudável. Livre das enfermidades da religião, que nada mais são do que fábricas de parasitas e cruzados, esses educadores resgatariam toda riqueza que o carisma e o ofício de mestre possuem.

Mas para que isso ocorra, urge uma profunda mudança (metanóia) nos paradigmas educacionais que sustentam, à quase cem anos, a educação dominical. A Formação dos professores dominicais nas Assembleias de Deus no Brasil pouco mudou desde as cruzadas incansáveis de nosso paladino e mestre, Pr. Antonio Gilberto. O árduo trabalho desenvolvido por ele e sua equipe em todo Brasil melhoraram quantitativa e qualitativamente o perfil do professor das Assembleias de Deus.

A nossa denominação pode e deve se orgulhar de sua marcha incansável, e dos heróis e heroínas que se ofereceram como libação a favor de uma igreja madura e comprometida com o Reino de Deus.

Todavia, não podemos viver relembrando as glórias do passado se nos esquecemos dos desafios do presente e inquietações do futuro. O mundo mudou! Não é mais o monobloco de antigamente. E, isto, companheiros (as) exige uma nova classe de professores, um novo paradigma educacional, e uma nova forma de lidar com os desafios da modernidade líquida.

Notas
[1] CORTESÃO.L. Ser professor: um ofício em risco de extinção. São Paulo: Cortez, 2002.
[2] FREIRE, P. Educação e mudança. 31.ed., São Paulo: Paz e Terra, 2008.

8 comentários:

Francikley Vito disse...

Pr. Bentho, parabéns por mais um excelente texto. Gostaria, se possível, que o senhor lesse dois textos de nossa autoria sobre o professorado cristão.Eis os links:

http://www.portalebd.org.br/principal/pedagogia/item/269-responsabilidades-b%C3%A1sicas-do-professorado-crist%C3%A3o

e o outro

http://www.portalebd.org.br/principal/pedagogia/item/901-responsabilidades-b%C3%A1sicas-do-professorado-crist%C3%A3o-ii

klebersantos disse...

caro pastor Esdras!,
Kharis kai Eirene.....

um forte abraço meu irmão,estou com saudades de suas aulas aqui em camaçari.(risos)

excelente comentário, e muito elucidativo para escola contemporânea ,eu ouço isso direto, (que o assunto é repetido) que as lições não mudam etc.....por isso concordo com á ideia de que ,( São incapazes de comentar com profundidade teológica o tema da lição).
Diria que são professores acomodado ,estão na esfera do comodismo, por isso não crescem teologicamente .são professores verdes que não amadureceram.
Um abraço....!
Em cristo jesus
Kleber santos

Ângelo dos Santos Monteiro, disse...

Prezado Pastor Esdras, concordo plenamente com suas observações, todavia, penso que deveria haver uma contrapartida por parte de nossas igrejas, pois a maioria dos professores (EBD), infelizmente, são despreparados, alguns por própria negligencia, outros por não terem condições de investirem em seus ministérios, considerando que as literaturas cristãs não são nada baratas (você como teólogo deve muito bem saber disso)e na maior parte das vezes a igreja não se preocupa com a capacitação destes docentes. Moro em uma das mais conhecidas capitais turísticas do pais, e nem me lembro quando ocorreu o último CAPED, de tanto tempo que faz. Isso é só um mero exemplo da negligência que há por parte das igrejas em preparar melhor seus professores. Fala-se muito em "venha a nós", mas o "vosso reino" fica de lado.

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis Khai eirene

Prezado Francikley obrigado pela participação no Teologia & Graça, vou conferir os artigos.

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Kleber, obrigado pela participação no Teologia & Graça. Também estou com saudades dos eventos de ED em Camaçari. Espero que em breve a igreja retome os eventos de EBD.
Os professores da ED precisam conhecer mais a respeito da FORMAÇÃO CONTINUADA. Talvez, seminários a respeito ajudariam nossos professores.

Um abraço

Esdras

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Angelo, obrigado pela participação no Teologia & Graça. Na verdade, a CPAD, por mais que desejasse, e olha que ela tem se esforçado muito para isso, não consegue repetir o CAPED mais de uma vez no mesmo lugar em função da grande demanda que há por esses eventos. A saída são os seminários e congressos promovidos pela CPAD ou organizar seminários com estrutura e currículo, aproximados...claro, este último, mais atualizado.

Um abraço
Esdras

Antonio Batalha disse...

Seu blog é uma bênção, li algumas coisas, e dou graças pela Graça derramada sobre si, que a cada dia continue a ser esta bênção.Aquilo que escreve seja como pão para o faminto, e água para o cansado.E que cada irmão ao ler suas mensagens seja edificado, exortado no amor derramado no seu coração, a sua alegria, paz e graça, cresçam de maneira a transbordar seu cálice, e atingir os corações.Aproveito a fazer-lhe um convite: Gostaria que fizesse parte dos meus amigos virtuais em meu blog A Verdade Que Liberta. Deixo as minhas cordiais saudações em Cristo Jesus.

Daladier Lima disse...

Prezado Pr. Esdras, em nossa igreja temos, curiosamente, muitos alunos e poucos professores. Precisamos olhar com mais carinho para nossas EBDs, do contrário perderemos o futuro.

TEOLOGIA & GRAÇA: TEOLOGANDO COM VOCÊ!



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