DÁ INSTRUÇÃO AO SÁBIO, E ELE SE FARÁ MAIS SÁBIO AINDA; ENSINA AO JUSTO, E ELE CRESCERÁ EM PRUDÊNCIA. NÃO REPREENDAS O ESCARNECEDOR, PARA QUE TE NÃO ABORREÇA; REPREENDE O SÁBIO, E ELE TE AMARÁ. (Pv 9.8,9)

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Diálogo Interreligioso nos Documentos do Vaticano



Nostra aetate marcou profundas mudanças nas relações da Igreja com as religiões mundiais. O documento não apenas reconheceu que existe nessas religiões algo de verdadeiro e santo (NA 2) como também a importância do diálogo inter-religioso. Apesar do reconhecimento dessas questões, admoesta que é obrigação da Igreja “anunciar incessantemente Cristo, ‘caminho, verdade e vida’ (Jo. 14,6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo todas as coisas” (NA 2). Noutro documento, Evangelii Nutiandi, Paulo VI exortava a Igreja acerca do empenho em anunciar o Evangelho aos homens de nosso tempo, tendo o testemunho que Jesus dá de si mesmo e o seu exemplo evangelizador como paradigma para a evangelização (EM 1, 7). Na Redemptoris Missio, João Paulo II lembrava a Igreja da validade permanente do mandato missionário, uma vez que “a missão de Cristo Redentor, confiada à Igreja, está ainda bem longe do seu pleno cumprimento” (RM 1). Ainda na Ad Gentes (AG 2) afirmava-se categoricamente que a natureza da Igreja peregrina é missionária, como cooperadora do desígnio de Deus Pai na missão do Filho e do Espírito Santo. 
Contudo, a teologia do pluralismo religioso traz novas inquietações ao anúncio da salvação em Cristo. O anúncio é aqui entendido como “a comunicação da mensagem evangélica, o mistério de salvação realizado por Deus para todos em Jesus Cristo, com o poder do Espírito” [1].
Deste modo entende-se que existe uma diferença entre diálogo interreligioso, missão evangelizadora e anúncio. O diálogo interreligioso entendido como “o conjunto das relações inter-religiosas, positivas e construtivas, com pessoas e comunidades de outros credos para um conhecimento mútuo e um recíproco enriquecimento” (DM 3) [2] não impede a missão evangelizadora e mais particularmente, o anúncio, isto é, a comunicação do mistério de salvação realizado por Deus para todos em Jesus Cristo. O diálogo representa um desafio, mas não um impedimento à missão evangelizadora. A Igreja é o sacramento universal da salvação, o germe e início do Reino, ela avança para a plenitude num diálogo de salvação. Deste modo, o diálogo não deve substituir o anúncio, porquanto se constitui a tarefa primordial da Igreja fazer crescer o Reino de nosso Senhor e do seu Cristo.
Neste novo contexto de pluralismo e diálogo interreligioso, a Igreja é desafiada a se empenhar mais profundamente, discernindo elementos crísticos presentes em certas verdades defendidas pelas religiões, mas sem confundir os elementos nelas também presentes que são incompatíveis com a fé e a singularidade de Cristo como mediador salvífico. A Igreja entra em diálogo de salvação com todos, mas a natureza de seu diálogo não é meramente antropológico, mas teológico. O diálogo da Igreja é um diálogo de salvação, embora não esteja excluído o diálogo da vida, das obras e da experiência religiosa.



 [1] SEDOC – Revista de Documentação – Santa Sé, 24, p.258-288. 
 [2] Citado in SEDOC 24, p.261.

2 comentários:

Mizael Andrade Reis disse...

O documento em questão "marcou profundas mudanças nas relações da Igreja com as religiões mundiais". De que igreja você está falando? É um documento católico que fala a respeito da igreja de Cristo? Um documento católico marcou profundas mudanças no relacionamento entre a igreja de Cristo com as demais religiões?

Defina melhor "diálogo de salvação". Além de um papa ter tratado de assuntos de relacionamento da verdadeira igreja, ele também definiu um lado positivamente salvífico nos diálogos que poderão ser feitos com as demais religiões?

A Escritura e o que se defendeu e defende ao longo da história acerca da possibilidade de salvação nas demais religiões não deveriam ter sido levados em conta? E se o seu artigo fosse meramente de natureza descritiva, não deveria ter sido feita uma ressalva, evitando a conclusão dogmática do seu artigo que naturalmente está baseada no documento católico?

Existe salvação para os que nunca ouviram falar do evangelho, mas que ouviram falar de outros deuses?

Esdras Costa Bentho disse...

Olá Mizael, obrigado pela participação. Acho que o próprio título do ensaio já explica.

TEOLOGIA & GRAÇA: TEOLOGANDO COM VOCÊ!



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