DÁ INSTRUÇÃO AO SÁBIO, E ELE SE FARÁ MAIS SÁBIO AINDA; ENSINA AO JUSTO, E ELE CRESCERÁ EM PRUDÊNCIA. NÃO REPREENDAS O ESCARNECEDOR, PARA QUE TE NÃO ABORREÇA; REPREENDE O SÁBIO, E ELE TE AMARÁ. (Pv 9.8,9)

terça-feira, 15 de junho de 2010

VINGREN: o homem, a história, a lenda


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GUNNAR VINGREN (1879-1933), nasceu em Ostra Husby, Ostergotland, na região agrícola do sudeste da Suécia, a 8 de agosto de 1879. Seu pai era batista e exercia a função de jardineiro. Diz o próprio Vingren que pelo fato de seus pais serem crentes, procuraram desde tenra idade a ensinar-lhe os preceitos do Senhor[1]. Os ensinos domésticos que o pequeno Gunnar recebia de seus genitores era reforçado pelas aulas que recebia na Escola Dominical da qual seu pai era um dirigente incansável.
Segundo o próprio Vingren, aos 9 anos ele foi chamado por Deus[2]. Após essa chamada, sentiu o desejo de buscar a Deus e o fazia constantemente atraído de uma forma especial pela presença do Santo Espírito. Aos 11 anos reunia-se com outras crianças para buscar a Deus em oração. Vingren terminou o curso primário com 11 anos, a partir dessa idade trabalhou como jardineiro com o seu pai, oficio este que se ocupou até o ano de 1903, quando seguiu o rumo de parentes para os Estados Unidos[3].
O adolescente Gunnar não resistiu aos apelos do mundo, desviando-se dos preceitos do Senhor com a idade de 12 anos. Ficou cerca de 5 anos vivendo como um filho pródigo, trazendo descontentamento aos seus pais. Em 1896, com a idade de 17 anos, Vingren foi a um culto de vigília de ano-novo com o seu pai. Foi nessa reunião que retornou ao lar paternal. Em seu diário, o já idoso missionário, relembra com gozo indizível a sua conversão ao Evangelho[4].
Em 1897, aos 18 anos, foi batizado nas águas na igreja Batista em Wraka, Smaland, Suécia. Nessa época, assumiu a direção da Escola Do­minical de sua igreja, substituindo seu pai. Em 14 de julho daquele ano, um artigo de uma re­vista, que falava sobre os sofrimentos de tribos nativas no exterior, o levou às lagrimas e a uma decisão que mudaria o rumo de sua vida: “Subi para o meu quarto e ali prometi a Deus perten­cer-lhe e pôr-me à sua disposição, para honra e glória de seu nome. Orei também insistentemen­te para que Ele me ajudasse a cumprir esta pro­messa” [5], afirma Vingren.
No mês de outubro de 1898, Vingren deixou a direção da Es­cola Dominical para participar de uma escola bíblica em Götabro, Nãrke. Essa escola bíblica era uma Federação Evangélica com o intuito de ganhar almas para Cristo. Cerca de cinquenta e cinco crentes, entre homens e mulheres, participaram dessa Escola que durou cerca de trinta dias. Ao final do curso cerca de quinze participantes foram enviados como evangelistas, que saíram dois a dois apenas com o dinheiro da passagem para o local pretendido. O próprio Vingren fala da impressão que essa escola bíblica lhe causou:
“Nunca mais na minha vida recebi uma instrução bíblica tão pro­funda como aquela. Pastor Kihlstedt nos quebran­tava completamente com a Palavra de Deus. Ele nos tirava tudo, tudo, até que ficássemos inteira­mente aniquilados como pó diante dos pés do Senhor. Depois vinha o irmão Emílio Gustavsson com o óleo de Gileade, e sarava as feridas da alma, alimentando nossos corações famintos com o melhor trigo dos celeiros de Deus. Oh! Que tempo aquele! Fez-me bem pelo resto de toda a minha vida”.[6]
Vingren foi enviado como evangelista à província de Skane, que foi a sua primeira missão como missionário. Em seguida, evangelizou nas províncias de Vãstergõtland, realizando vários cultos na região. Mas, quando chegou a Tidaholm, ficou doente de papeira. Muito enfermo, sonhou que tinha dormido no Senhor e que seus pais participaram do cortejo fúnebre.
Entretanto, no sábado à noite, alguns irmãos foram visitar o evangelista enfermo. Oraram fervorosamente e, na segunda-feira, estava totalmente curado para continuar sua viagem missionária[7]. Depois disto, evangelizou em Rönneholm, Svedala e retornou a Skane. Na cidade de Rönneholm, um irmão chamou à sua atenção pelos atos humanitários e pelo amor cristão que dispensava ao viandante cristão. Realizou alguns cultos em algumas aldeias de pescadores, e Vingren, lembra em seu Diário do Pioneiro, que o céu se abriu sobre todos quanto estavam junto a um ancião, cantando o hino: “Jesus, faz-me sereno e satisfeito”.[8]
De retorno ao lar paterno, continuou a trabalhar como jardineiro. Desta feita encontrou trabalho como jardineiro no palácio real de Drottningholm. O coração do missionário ardia com o desejo entusiástico de repetir a experiência de propagar as boas novas. Foi quando no dia primeiro de outubro, após ser convidado anteriormente por um evangelista o qual Vingren não conhecia pessoalmente, partiu para ser obreiro em cultos próximo à sua casa. No inverno foi à província de Ostergötland, e muitas almas renderam-se, como diz o próprio Vingren, “ao pé da Cruz. Glória a Deus” [9].
Contudo, no mês de fevereiro, Gunnar foi convocado a cumprir o serviço militar interrompendo sua missão. Apresentou-se em Soderkoping e serviu em Malmslatt durante sessenta e oito dias. Parecia que o antigo desejo de ser militar[10] iria ressuscitar e a falta de segurança cristã o atormentaria. Mas nada seria forte o suficiente para amedrontar esse intrépido evangelista. Havia amadurecido não apenas como cristão, mas também como obreiro, havia sido experimentado em todas as coisas e, consequentemente, aprovado por Deus.
Dentre os mil e seiscentos homens alistados apenas vinte eram cristãos. Lembra o jovem evangelista, que Deus o auxiliou dando a ele oportunidade de pregar aos seus companheiros pessoalmente, e noutra ocasião numa capela cheia de soldados.
Ao retornar do serviço militar, voltou para a casa de seus pais e, retomou o trabalho de jardineiro próximo a Estocolmo. Vingren se esforçava para ser útil tanto à sociedade quanto ao Reino de Deus. De dia trabalhava como jardineiro e a noite tomava parte nos cultos testificando em diversos lugares.[11]

Em 30 de junho de 1903, Vingren afirma que foi “atingido pela “febre dos Estados Unidos”[12]. Após dezenove dias de viagem, chegou a Kansas City em dezenove de novembro de 1903. Embora tivesse muita dificuldade em encontrar o endereço[13], Vingren foi em direção a casa de seu tio Carl Vingren que morava em Kansas City a vários anos. Vingren, após uma semana, começou a trabalhar como foguista na cidade de Greenhouse, depois como porteiro em uma grande casa comercial e, no inverno, como jardineiro. No final do mês de fevereiro de1904, partiu para St. Louis para trabalhar no Jardim Botânico local, ao mesmo tempo em que participava, aos domingos, dos cultos da igreja sueca em St. Louis.
No final de setembro de 1904, Gunnar viajou para Chicago para começar um curso de quatro anos no seminário sueco dos batistas. Os ministros da Igreja batista sueca percebendo o zelo e esmero de Vingren o recomendaram que entrasse para a universidade batista. Nos quatros anos que passou na universidade, o seminarista Gunnar sentia a presença de Deus em todo o tempo. Durante os estudos, Vingren pregava em diversas igrejas de locais distintos. O seu primeiro estágio, de junho a dezembro, pregou na Primeira Igreja Batista em Chicago, Michigan. No segundo, foi a Sycamore, Illinois, no estágio do Natal, pregou em Blue Island, também em Illinois. No terceiro estágio ajudou em Sycamore, Illinois, e nos últimos estágios, foi pastor em Mountain, Michigam.[14]
Em setembro de 1904, iniciou um curso de quatro anos no Seminário Teológico Batista Sue­co, em Chicago. Durante o tempo em que mo­rou em Kansas, pertenceu à igreja batista sueca, onde foi exortado a voltar a estudar. Durante o curso, foi convidado a pregar em várias igrejas. Pelo seminário, estagiou sete meses na Primeira Igreja Batista em Chicago, Michigan. Depois, nas igrejas batistas em Sycamore, Illinois; Blue lsland, também em Illinois; e, por fim, em Mountain, Michigan[15].
No mês de maio de 1909, Vingren concluiu seus estudos e foi diplomado no mesmo mês e ano. Embora houvesse feito um pedido para ser enviado como missionário, após os estudos acadêmicos, foi servir a Primeira Igreja Batista em Menominee, Michigan, como pastor em junho de 1909. Permaneceu nessa igreja até fevereiro de 1910[16].
A Convenção Batista do Norte o sustentaria[17]. No início, Vingren convenceu-se de que esta era a vontade de Deus, mas, durante a convenção, Deus mostrou-lhe o contrário. Vol­tando à sua igreja, enfrentou uma grande luta por causa de sua decisão. Finalmente, resolveu não aceitar a designação e comunicou sua deci­são à convenção por escrito. Por esse motivo, a moça com quem se enamorara rompeu o noiva­do. Ao receber a carta dela, respondeu: “Seja feita a vontade do Senhor!”.
Até a decisão final de Vingren em não ir a Índia como missionário, travou-se uma árdua batalha espiritual, agravada com uma severa dúvida em saber se esta era a decisão correta. Conta Vingren, que enquanto estava em dúvida não sentiu o poder de Deus sobre a sua vida durante toda aquela semana, vindo a sentir o poder e a paz de Deus somente depois que decidiu em não ir como missionário[18].
Nessa época os Estados Unidos estava sendo visitado de modo especial pelo Espírito Santo[19]. No verão de 1909, Deus encheu o coração de Vingren com o desejo de receber o batismo no Espírito Santo. Em novembro daquele ano, ele pediu permissão à sua igreja para visitar a Primeira Igreja Batista Sueca, em Chicago, onde se realizava uma série de conferências, O seu objetivo era buscar o batismo no Espírito Santo. Foi durante essa milagrosa experiência que Vingren conheceu Daniel Berg. Após cinco dias de busca incessante, foi revesti­do de poder, falando em outras línguas como os discípulos no Dia de Pentecostes. Sobre o assunto afirma Vingren:
“Quando recebi o Espírito Santo, falei línguas, justamente como está escrito que aconteceu com os discípulos no dia de Pentecostes: At 2. É impossível descrever a alegria que encheu meu coração. Eternamente o louvarei, pois me batizou com o seu Espírito Santo e com fogo” [20].
A alma de Vingren estava transbordando de gozo celestial. Após aquela experiência pentecostal [21], Vingren nunca mais foi o mesmo pastor. Ao voltar à sua igreja em Menominee, come­çou a pregar a verdade pentecostal de que “Jesus batiza no Espírito Santo e com fogo”[22]. Alguns irmãos estranharam o teor da mensagem[23], enquanto outros ficaram impressionados com o fervor da boa nova. A partir dos ensinos e experiência dos cristãos primitivos no livro dos Atos dos Apóstolos, Vingren ensinava a verdade pentecostal[24].
Todavia, a tradição daquela igreja que tanto amava o seu pastor, não estava disposta a admitir aquela estranha doutrina. Por muito tempo os irmãos daquela comunidade haviam aprendido que os nove dons do Espírito e a experiência do pentecoste haviam cessado após a era apostólica. Outros irmãos, porém, ávidos por uma comunhão mais profunda com o Espírito Santo, creram na doutrina pentecostal. Em fevereiro de 1910, os crentes que não creram na mensagem pentecostal intimaram o pastor Vingren a deixar o pastorado da igreja[25].
A Igre­ja Batista em South Bend, Indiana, ao ouvir os comentários de que um dos pastores da denominação havia experimentado uma ação sobrenatural do Espírito sobre si, convidaram-no para expor sua experiência. Todos os irmãos ao ouvir a mensagem creram em cada exposição bíblica e em cada um dos atos experiênciais do próprio Vingren. Nos primeiros sete dias Deus batizou dez crentes com a evidência inicial de falar em outras línguas.
A perspectiva de Vingren era que Deus transformasse as igrejas batistas suecas através do batismo pentecostal. Inicialmente não pretendia deixar de ser um ministro da igreja batista, apenas compartilhar sua nova experiência. A nova consciência do ex-pastor batista era a de que a igreja só seria capaz de cumprir a sua missão se aceitasse a plenitude do batismo no Espírito Santo. Por isso se pôs como profeta e missionário incumbido de propagar a mensagem quadrangular do Evangelho: Cristo Salva, Batiza com o Espírito Santo, Cura e Vem em breve.
Vingren não deixou de ser um pastor batista até o momento que foi expulso da igreja batista em Belém – Pará. Não pretendia criar uma outra denominação, isto ocorreu porque as circunstâncias o levaram, apenas ser participante de uma reforma dentro das igrejas reformadas. Sobre a transformação da igreja batista em South Bend, Indiana afirma Vingren:
“No total foram quase vinte pessoas, que naquele verão foram batizadas com o Espírito Santo. Glória a Jesus! Assim Deus transformou a igreja batista em South Bend, Indiana, em uma igreja pentecostal” [26].
Vingren pastoreou-a até 12 de outubro de 1910[27], quando começou a preparar-se para a viagem ao Brasil. No verão daquele mesmo ano, Deus pôs no coração de Vingren o desejo de reunir a igreja em oração num sábado à noite. Berg, seu futuro companheiro na seara do Mestre, estava presente nessas reuniões em South Bend[28]. A primeira reunião foi realizada na casa de um dos irmãos que haviam recebido o batismo com o Espírito Santo. Naquela ocasião o Espírito desceu de modo sobrenatural alegrando a alma dos crentes. Essa experiência foi repetida por diversas vezes. Reuniam-se aos sábados para orar, e cada vez que isto ocorria o Espírito do Senhor descia sobre os seus servos poderosamente. Paulatinamente os irmãos estavam sendo imersos no poder e na autoridade do Espírito para levar a mensagem pentecostal para outros lugares. Vingren afirma que durante essas semanas de oração, sentia o poder de Deus sobre ele como uma pressão, ou um forte peso, de tal maneira, que muitas vezes nem podia estar assentado à mesa para comer, mas tinha de cair ao chão, dobrar os joelhos e, com alta voz, prorromper em altos louvores diante da Majestade Santa[29].
Durante uma dessas reuniões percebeu que um irmão estava arrebatado em espírito de modo especial, como um arrebatamento profético. Um outro irmão, Adolfo Ulldim, foi o instrumento profético que Deus usou para dizer a Vingren e ao seu companheiro Berg que eles deveriam ir a uma cidade conhecida pelo nome de Pará[30]; cujo povo e seus hábitos eram de uma vasta simplicidade, mas Deus supriria todas as necessidades.
Naquela ocasião um fato espiritual inusitado cortou a expectativa e apreensão dos missionários, um dos irmãos foi tomado em glossolalia, só que era o idioma que os missionários teriam que futuramente aprender, o português. Na mesma ocasião O Espírito falou a Vingren para que ele não se preocupasse com a sua vida sentimental. Deus estaria cuidando de cada aspecto de sua vida, ainda que seja de questão mais ínfima, como prova Deus disse-lhe o nome de sua futura esposa: Strandberg[31].
Embora Vingren não a conhecesse guardou em seu coração essa profecia. Mais tarde, sete anos depois, em 4 de março de 1917, Vingren conheceeu a enfermeira, senhorita Frida Strandberg, amiga de Lewi Pethrus e que possuía uma chamada missionária para o Brasil. O casamento só ocorreu em 16 de outubro de 1917. Imediatamente, Vingren e Berg foram até a bliblioteca pública da cidade localizar em algum atlas algum lugar com esse nome. Desfolhando os manuais descobriu tratar-se de um lugar ao Norte do Brasil. Embora o pastor Vingren sempre tivesse plena consciência de seu chamado missionário, sabia exatamente agora o lugar que Deus o queria – Pará[32], Norte do Brasil.
Embora soubesse, ficou claro que Deus o havia guiado adequadamente, ao rejeitar ser enviado como missionário à Índia, ou quando arrefeceu o seu desejo de ser missionário na China motivado por um tio que havia sido missionário nessa região de matizes culturais intransponíveis. Deus o queria no Brasil para implantar um dos maiores movimentos pentecostal na América do Sul! Vingren e Berg agora estavam unidos pelo Senhor no mesmo propósito.
Como não deveria deixar de ser, os dois se prontificaram a buscar ao Senhor para saber qual era o tempo ideal para ir ao Brasil. Poucos meses depois compreenderam que deveriam partir de Nova Iorque até o Pará e que seria no dia 5 de novembro de 1910[33]. Sem recurso para comprar as passagens e para as despesas de viagem confiaram todo a provisão necessária a Deus[34]. Vingren e Berg não possuíam quaisquer recursos; não estavam ligados a qualquer denominação, se recusavam a pedir qualquer ajuda que não fosse a Deus. Foi então, quando os dois missionários se intrigavam com essa questão, que Deus disse a Vingren: “Se fores, nada te faltará!”. Deus proveu milagrosamen­te a quantia certa para a viagem. Um irmão chamado B.M. Johnson, pastor de uma das igrejas batistas de Chicago, pediu para que os dois missionários passassem em sua igreja para se despedir. No culto tiraram uma oferta para os missionários, cujo valor excedeu o necessário[35].
No dia aprazado, 5 de novembro de 1910, os dois missionários embarcaram no navio “Clement”[36]. Pensando em chegar ao Brasil com alguma reserva monetária, embarcaram com passagens de terceira classe. Durante os catorze dias de viagem os missionários tiveram que suportar a precária acomodação e a péssima alimentação[37]. Tudo o faziam com alegria e contentamento. Numa dessas ocasiões Deus entregou uma mensagem profética a Daniel Berg, dizendo que estava com eles. Durante esse tempo oraram por um companheiro de viagem e ganharam um passageiro para Cristo. Em um dos pontos de embarque e desembarque alguns brasileiros subiram no “Clement”. Vingren afirma que “pela primeira vez” ouviram o idioma português[38] e, sentiram certo temor em seus corações, pois não compreendiam nada[39]. Mas esse sentimento desapareceu bem depressa, pois estavam convictos da vontade do Senhor.
Chegaram ao destino, Pará, no dia 19 de novembro de 1910. Ao desembarcarem não havia ninguém para receber os dois missionário suecos. Sem destino certo, acompanharam a multidão ao centro da cidade. Os dois missionários viam desfilar pelas ruas “pessoas mal vestidas, os leprosos a desfilar seus corpos mutilados, apresentando pungente espetáculo pelas ruas”[40].
No período da chegada dos missionários e da inauguração da AD no Brasil o país vivia um momento político conturbado. A AD foi fundada no período do Marechal, apoiado pelos fazendeiros de café, Presidente Hermes da Fonseca (15/11/1910 – 15/11/1914) tendo a igreja que conviver com a “república dos coronéis” – latifundiários que formavam as oligarquias estaduais e regionais; fraudavam as eleições, punham o Exército e a polícia contra a população que se revoltava – mandavam em tudo e em todos (...). Nesse período apenas 3% dos brasileiros podiam votar, o que equivalia a três em cada cem brasileiro, e a grande maioria era analfabeta. Os 3% que votavam era os maiores de 18 anos alfabetizados. As eleições eram fraudadas, falsificadas. Quem mandava em tudo e em todos eram os coronéis: no advogado, no pastor, no padre, no professor, nas pessoas que trabalhavam em suas fazendas. Se houvesse mais de um coronel no município afirma PILETTI & PILETTI, mandava aquele que tinha mais jagunços, mais armas e mais vontade de lutar. O crescimento da AD, foi em grande parte, entre as pessoas econômica e socialmente dependentes, sofridas, acostumadas a obedecer sem questionar sempre que se destacava uma autoridade na região. A população deste período seria muito distinta daquela que participaria da revolução de 30, do Estado Novo, da ditadura militar e dos “caras pintadas” da década de 90” (...) No ano de 1913, uma grande seca atingiu o Estado do Ceará, obrigando o governo a dar passagens grátis para quem quisesse sair de lá. Muitas dessas pessoas foram viver às margens da estrada de ferro Belém-Bragança, aumentando a população do Estado do Pará. Foi nesse período que a igreja experimentou um grande crescimento. Daniel Berg, visitou todos os lugares onde estavam essas pobres pessoas, acrescendo cada vez mais o números dos crentes pentecostais.[41]
No mesmo dia em que chegaram, hospedaram-se num modesto hotel onde consumiram os seus 16 mil réis que ainda possuíam[42]. Não tendo mais como pagar, não restou nenhuma outra alternativa a não ser deixar o apartamento[43]. Foram, de bonde, em direção à casa do pastor metodista Justo Nelson, que os indicou ao pastor Erik Nilson, pastor da Igreja Batista de Belém. Os dois missionários foram convidados a morarem no porão da Igreja Batista, localizada na Rua Balby n0 406. Depois, em Boca do Ipixuna, às margens do Rio Tajapuru, hospedaram-se durante alguns meses na casa do presbiteriano Adriano Nobre. Dormiram no mesmo quarto onde morava o irmão Adriano Nobre, primo de Adriano, o pri­meiro professor deles de língua portuguesa.
Os missionários precisavam sustentar a si mesmo, por isso, Daniel Berg, forte e robusto, arranjou emprego de fundidor no antigo Port Of Parh (hoje dividida em Cia. Docas do Pará e ENASA), e Gunnar Vingren dedicava-se ao estudo do idioma[44]. A noite transmitia a Daniel o que havia aprendido.
As irmãs Celina Albuquerque e Maria de Nazaré creram na mensagem pentecostal e receberem o batismo no Espírito Santo. Criou-se, então, uma discussão na igreja, que cul­minou na expulsão de 21 membros, Vingren e Berg eram dois dessa estatística pentecostal.
Em 18 de junho de 1911, nascia a Mis­são de Fé Apostólica, que em 11 de janeiro de 1918 mudou de nome, sendo registrada oficial­mente como Assembléia de Deus. Era uma igre­ja sem vínculos estrangeiros, genuinamente autóctone[45].
Durante a época em que pastoreou a igreja em Belém, no Pará, Vingren visitou por duas ve­zes a Suécia, passando pelos Estados Unidos. Em 1 de agosto de 1917, na sua primeira viagem, conheceu a enfermeira Frida Strandberg, que contou-lhe ter também uma chamada para o Bra­sil. Em 16 de outubro de 1917, em cerimônia presenciada por Samuel Nystrõm[46] e esposa, Gunnar e Frida casaram.
O pastor Vingren, cônscio de que era não apenas necessário registrar os principais eventos pentecostais, mas como também plausível que as Assembléias de Deus tivessem o seu próprio periódico, em 1918, em Belém do Pará, fundou o a revista (jornal) Boa Semente [47], durante o ano de 1930 [48], no Rio de Janeiro, o jornal Som Alegre, e somente em 1930, por resolução da Convenção em Natal Vingren une os dois jornais criando o órgão oficial da Assembléia de Deus no país, o jornal Mensageiro da Paz, o primeiro número foi editado em 1 de dezembro de 1930 no Rio de Janeiro[49].
Apesar das inúmeras e agravantes crises de enfermidade que sofreu, Vingren, durante o período em que esteve no Brasil, esmerou-se arduamente no trabalho do Senhor, antes de sua partida definitiva para a Suécia. Após uma viagem cansativa, escreveu:
“Depois desta viagem cansativa, cheguei aqui bastante abatido. Sinto-me total­mente acabado. Tenho vontade de trabalhar para Jesus, mas faltam-me as forças. Quando estive em Santa Catarina, fiquei muito enfermo do es­tômago, pois a comida ali me fez mal. Fiquei também muito gripado e doente no peito, pois tive de voltar de um batismo com a roupa toda mo­lhada e havia um vento muito frio. Mas o Senhor me ajudou. Porém, entendo que, se eu continuar assim, vou em breve terminar a carreira” [50].
No dia 15 de agosto de 1932, Vingren retornou ao seu país, Suécia. No Rio de Janeiro, deixou a igreja sob a responsabilidade do pastor Samuel Nyström. Durante os nove anos que pastoreou a igreja no Rio, esta cres­ceu muito mais do que qualquer outra no Brasil durante aqueles.
Na Suécia, enquanto não partia para a Céu, participava dos cultos da igreja de Estocolmo, onde celebrou sua última vigília de ano-novo. Em junho de 1933, foi com a família para uma colônia de descanso em Tallang, onde terminou seus dias.
Gunnar Vingren faleceu às 14hs 45m do dia 29 de junho de 1933.
Sua esposa, Frida Vingren, testemunhou seu falecimento:
“No dia 27, entre cinco e seis da manhã, ele recebeu a chamada para o Céu. En­tão, com os braços levantados, exclamou: ‘Je­sus, como tu és maravilhoso. Aleluia! Aleluia!’ Enquanto estava sob esse poder, leu os quatro primeiros versículos do Salmo 84: “Quão amá­veis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exér­citos!”. A minha alma está anelante, e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a mi­nha carne clamam pelo Deus vivo. Até o pardal encontrou casa e a andorinha ninho para si e para a sua prole, junto dos teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu. Bem-aven­turados os que habitam em tua casa: louvar-te-ão continuamente!’ Depois dessa experiência, viveu ainda por dois dias, quando várias vezes disse que tinha saudade de ouvir o cântico dos anjos. Uma vez sentou-se na cama, levantou os braços e louvou a Deus, pois sentiu-se maravi­lhosamente livre”[51].
Antes de Vingren morrer, deixou a seguinte mensagem aos irmãos brasileiros:
“Diga-lhes que eu vou feliz com Jesus. E, como um pai em Cris­to, exorto a todos a receber a graça de Deus, que quer operar mais santidade e humildade, para que possam receber os dons do Espírito Santo. Somente desta maneira a Igreja de Deus poderá estar preparada para a vinda de Jesus!”[52].
A elegia fúnebre foi realizada na igreja Filadélfia, em Estocolmo, Suécia. Cerca de mil e trezentas pessoas participaram da cerimônia. Diversos irmãos deram testemunhos da vida e obra desse intrépido homem de Deus.
“Gunnar Vingren era um homem consagrado a Deus cuja vida foi uma vez para sempre colocada sobre o altar e ele jamais retirou dali essa sua oferta. Um santo fogo estava aceso em sua alma e ardeu durante toda a sua vida, até que ele foi “consumido” por esse mesmo fogo”.
Nils Kastberg



[1] Ivar VINGREN, O Diário do Pioneiro Gunnar Vingren, 1982, p. 17
[2] Id.Ibidem, 1982, p.17
[3] Cf. Paul FRESTON, Breve História do Pentecostalismo Brasileiro in Nem Anjos, Nem Demônios – Interpretações Sociológicas do Pentecostalismo,1994, p. 67
[4] Cf. VINGREN, 1982, op.cit., p.18
[5] Id.Ibidem, 1982, p. 18.
[6] Id. Ibidem, 1982, p.19
[7] Id. Ibidem, 1982, p.20
[8] Id. Ibidem, 1982, p.20
[9] Id.Ibidem, 1982, p. 20
[10] Em 1896, após a sua conversão no culto de ano novo, o jovem Gunnar havia enviado uma petição para entrar como voluntário na Escola de Guerra, porém, segundo ele mesmo afirma, “Deus me dirigiu para outro caminho”. Além disso, sentia medo de não poder permanecer como crente seguindo a carreira militar.
[11] VINGREN, 1982, op.cit., p.21.
[12] FRESTON, 1994, op.cit., p. 76 afirma que a Suécia da época de Gunnar Vingren “não era a próspera sociedade de bem-estar em que se transformou posteriormente. Era um país estagnado com pouca diferenciação social [Em 1870, somente 10% da população trabalhavam como artesãos ou na industria (Bruce 1990a:97)], forçado a exportar grande parte da população. Mais de um milhão de suecos emigraram para os Estados Unidos entre 1870 e 1920. A livre iniciativa se implantou relativamente tarde (1864), numa série de reformas liberais que incluiu, formalmente, a liberdade religiosa (1860)”.
[13] A dificuldade de Vingren em encontrar o endereço era porque não falava inglês.
[14] VINGREN,1982, id.ibid.,p. 22. É importante observar que, embora Vingrem mais tarde se tornasse um pentecostal, sua formação batista, ortodoxa e fundamentalista, fazia-o reconhecer em todos os aspectos a autoridade das Escrituras, tanto que quando chegou no Estado de Santa Catarina, precisamente na cidade de Criciúma em 1920, encontrou alguns irmãos (emigrantes da Lituânia) pentecostais que em suas reuniões de oração, tiravam os sapatos e deitavam em círculos e depois, durante umas meia hora, apenas dançavam e pulavam, repetindo o gesto várias vezes. Vingren então os exortou “ a que deixassem esta coisa de dançar, pois isto não está escrito no Novo Testamento e é só uma bobagem que deviam abandonar”. Na reunião seguinte o episódio se repetiu e, mais uma vez, Vingren os exortou dizendo: “que não é por meio de profecia, interpretação e línguas que devemos ser dirigidos. Isto nos e dado para nossa edificação, mas a direção verdadeira e a instrução necessária vêm da Bíblia, que é a Palavra de Deus clara e patente”. O resultado dessa exortação foi a expulsão de Vingren no dia seguinte. Cf.VINGREN, 1982, id.Ibidem., p.108
[15] Cf. VINGREN, 1982, id.Ibidem, p. 22, Cf. OBREIRO APROVADO, ANO XVI – Nº 65, p.15
[16] Vingren em seu diário, escreve reunindo os principais fatos de seu ministério; ao afirmar que esteve na Primeira Igreja Batista em Menominee, Michigan, de junho 1909 a fevereiro de 1910, ele, talvez propositalmente, omite o fato de que durante esse período, especificamente durante o verão, esteve na Igreja Batista Sueca em Chicago, onde recebeu o batismo no Espírito Santo, vindo a falar especificamente sobre o assunto um pouco depois. É nesse período que conhecesse o seu fiel amigo Daniel Berg.
[17] Vingren seria enviado como missionário pela The Northern Baptist Convention.
[18] VINGREN, 1982, op.cit., p.23. Segundo Vingren, mais tarde uma irmã que possuía o dom de interpretar línguas foi usada pelo Senhor, para disser-lhe que ele seria enviado ao campo missionário somente depois de haver sido batizado no Espírito Santo.
[19] Trata-se do grande reavivamento que deu origem ao atual Movimento Pentecostal. Entretanto, o reavivamento da Rua Azuza, em Los Ângeles, Califórnia (1906-1909) foi motivado pelo ocorrido em Topeka, Kansas, em janeiro de 1901. Enquanto o da Rua Azusa teve como personagem principal o afro-americano William J. Seymour, o reavivamento de Topeka, o pregador do Movimento da Santidade, Charles Fox Parham.
[20] VINGREN, 1982, op.cit.,p.24
[21] A experiência pentecostal de Vingren já era sentida por outros cristãos bem antes de 1909. Em janeiro de 1901, Charles Fox Parham, pregador do Movimento da Santidade em Kansas, foi testemunha de um reavivamento fenomenal na Escola Bíblica Bethel, em Topeka, Kansas. Parham, e a maioria dos seminaristas, foram batizados no Espírito Santo com a experiência inicial de falar em outras línguas ou glossolalia.
[22] VINGREN, 1982, op.cit., p.24
[23] É bem provável que os irmãos não tenham apenas estranhado a novidade doutrinária, mas também os gestos e atos que acompanhavam as experiências pentecostais. A missão da Rua Azusa, a partir de setembro de 1906, publicava o jornal A Fé Apostólica editado por William J. Seymour. Esse periódico narrava as experiências pentecostais dos cristãos que lá se reuniam. Há testemunhos de crentes caindo ao chão, que riam incessantemente (esse fenômeno era conhecido por “Gargalhada Santa”), tremedeiras (os antigos metodistas chamavam de “sacudidelas”), mudez temporária e “embriaguez no Espírito”. No relatório de São Francisco na Edição nº 7 (abril de 1907), lê-se o seguinte: “ Crianças pequenas receberam o seu batismo e falaram em várias línguas. Um pastor metodista e outro adventista receberam o batismo, e antes de falarem em línguas, ficaram tremendo durante algumas horas sob o poder de Deus”. Essas manifestações receberam muitas represálias por parte da direção de algumas igrejas, tanto que a nona edição (setembro de 1907) publicou um alerta de Kedgaon, Índia, sobre as tentativas de se reprimir as manifestações deste tipo: “ Não precisamos nos preocupar com estas manifestações, nem tentar reprimí-las. SÃO OS FRUTOS NAS VIDAS E NO SERVIÇO A DEUS QUE QUEREMOS VER [ênfase no original]. Estas manifestações não impedem a produção de frutos espirituais, mas temos visto, vez após vez, durante os últimos quinze meses, que onde os obreiros cristãos reprimiram estas manifestações, o Espírito Santo tem Se entristecido, a obra tem parado, e nenhum fruto de vidas santas tem surgido como resultado (...)”. [Extraído da Edição da Primavera de 1995 do “Elim Herald”, com permissão da Elim Fellowship, Lima N.Y.,E.U.A. apud Richard M. RISS, Reavivamento, Tremedeira, Mudez Temporária, Gargalhada Santa, e Embriaguez no Espírito na Rua Azusa, REVISTA ATOS – outubro/Novembro/Dezembro 1997, Vl. 12/Nº 4 Edição Português, Ralph MAHONEY (ed.).
[24] O ensino seguido por Vingren foi particularmente uma contribuição teológica de Fox Parham. Este insistia que o falar noutras línguas era a evidência conclusiva do Batismo no Espírito Santo, ou como se costumava dizer naqueles dias, “a terceira obra da graça”. Em 1906 ocorreu a primeira questão teológica que dividiu os pentecostais – a validade do conteúdo teológico de livros históricos como o de Atos dos Apóstolos e os últimos versículos de Marcos. O cerne da questão estava na validade das experiências de falar noutras línguas. Aqueles que acreditavam, como Parham e seus discípulos, que o livro de Atos servia como fator doutrinário e, por isso, teologicamente, a única prova visível de que o crente recebeu o batismo no Espírito Santo era a evidência inicial de falar em outras línguas. Outros que não criam na validade doutrinaria da literatura narrativa não fundamentavam o batismo no Espírito Santo com a evidência experiencial de falar em glossolalia.
[25] Nesse mesmo ano o pastor Lewi Pethrus, amigo de infância de Daniel Berg e que também havia se tornado pentecostal, assumiu o pastorado da igreja batista de Estocolmo; tanto ele quanto os crentes daquela igreja ,que creram na mensagem pentecostal foram excluídos da convenção da denominação em 1913.
[26] VINGREN, 1982, op.cit., p.24
[27] Não somos escusados de frisar que, segundo as narrativas de Lewi Pethrus, em 1910 já existia uma igreja batista pentecostal organizada em Estocolmo, Suécia. Quase todos os membros dessa igreja eram batizados com o Espírito Santo. Tendo começado com vinte e nove membros, em 1913 já contava com quinhentos. Foram excomungados da denominação e da convenção batista. Dez anos depois já existia trezentas assembléias pentecostais, com algumas delas muito bem estruturadas. Cf. Emílio CONDE, O Testemunho dos Séculos, 1982, p.85-6.
[28] Nesse tempo (novembro de 1909) Berg estava trabalhando numa quitanda, em Chicago, quando o Espírito Santo lhe disse para viajar a South Bend, Indiana, onde Vingren era o pastor da igreja, para que juntos louvassem ao Senhor. Berg deixou o seu trabalho e foi ao encontro do pastor Gunnar. Segundo Vingren, Berg o acompanhava aos cultos e participava, ora cantando, ora testificando da maravilhosa salvação em Cristo. Foi quando então, Deus dirigiu Vingren a ir juntamente com Berg a casa do irmão Adolfo Ulldim. Cf. VINGREN, 1982, op.cit., p.26
[29] Id.Ibidem, 1982, p.25
[30] Há um fato paralelo omitido em quase todos os manuais de fonte pentecostal que tratam da biografia de Vingren e Berg, é o fato observado por FRESTON (1994:81) que afirma que em Belém, muito antes da chegada de Vingren e Berg ao Brasil, já existia um missionário sueco, Erik Nilsson (ou Eurico Nelson), que desde 1897 implantava igrejas em toda a Amazônia. Erik Nilsson era um sueco emigrado dos Estados Unidos aos 7 anos de idade que veio ao Brasil com a intenção de seguir uma carreira de pecuarista. Tornou-se pastor da igreja batista em Belém e, é bem provável que nos relatórios enviados à comunidade batista sueca nos Estados Unidos o nome “Pará” já fosse conhecido. Essa informação também é confirmada por Emili-G. LÉONARD, na obra O Protestantismo Brasileiro, São Paulo: ASTE: 1963, p. 93. Quando Vingren e Berg chegaram ao Brasil foram encaminhados pelo pastor metodista Justo Nelson ao pastor Erik Nilsson; este como eles, era de nacionalidade sueca. O pastor Nilsson os convidou-os a cooperarem nas atividades da igreja e ofereceu-lhes o porão da igreja, onde se alojaram. Cf. Joanyr de OLIVEIRA, As Assembléias de Deus no Brasil – Sumário Histórico Ilustrado, 1997, p. 37
[31] Mais tarde Vingren conheceu a enfermeira Frida Strandberg, que se tornou sua única esposa.
[32] FRESTON, 1994, op,cit., p. 81 afirma que embora “a escolha do Pará para iniciar a AD não fosse racional, acabou ten do uma racionalidade maior (no sentido de se fazer presente em todo o país) do que se começasse no Rio ou em São Paulo”. Uma opinião nada ortodoxa, divulgada pela internet é a do pastor Jedilson Rodrigues, que segundo um dos seus alunos, as razões pelas quais Deus escolheu Belém foram: 1. Porque Belém, em hebraico, significa Casa de Pão; e 2. Pará, em grego significado ao lado de; paralelo a; e que ao analisar melhor o assunto veremos que de Belém do Pará saiu a chama pentecostal (pão) para esta grande Nação.
[33] VINGREN, 1982, op.cit.,p.27
[34] Na verdade Vingren possuía 90 dólares, mas ao participar antes da viagem de um dos cultos de uma das igrejas pentecostais de Chicago, cujo pastor era o editor de uma revista pentecostal, Deus impeliu a Vingren a doar todo o seu dinheiro ao pastor Durham para a manutenção da revista. Vingren resistiu o quando pôde, durante toda a noite “lutou com Deus” a respeito daquele assunto, até que finalmente, no dia seguinte, doou todo o dinheiro ao pastor.
[35] O valor recebido foi quatro vezes mais daquele que Vingren havia dado ao pastor Durham, cerca de 400 dólares.
[36] Os missionários só embarcaram na data citada devido ao término da manutenção que estava sendo feita no navio “Clement”, pois de outra forma não haveria possibilidade de viajar naquela data; não havia vagas em nenhum outro navio.
[37] Devido à greve no porto de Nova Iorque não puderam levar qualquer bagagem a não ser a maleta que estava em suas mãos.
[38] O aluno pode pensar que aqui há contradição, pois Vingren afirmara anteriormente que quando recebeu a chamada para ser missionário no Brasil um dos irmãos que falava em línguas, falou no idioma português. No entanto, explica-se facilmente o fato, pois Vingren está se referindo ao seu primeiro contato com um brasileiro em seu idioma nato.
[39] VINGREN, 1982, op.cit., p.31
[40] Joanyr de OLIVEIRA, As Assembléias de Deus no Brasil – Sumário Histórico Ilustrado, 1997, p.36. Dias depois, alguns passageiros, que vieram com os missionários, morreriam ao serem infectados pelo vírus da lepra.
[41] Esdras Costa BENTHO, As Origens da Igreja Assembléia de Deus: Resgatando as Nossas Verdadeiras Origens – Uma Visão Histórica e Social de Nossa Denominação, 2000, Faculdade Teológica Refidim, p. 5.
[42] OLIVEIRA, 1997, op.cit., 36
[43] A diferença entre o denominacionalismo americano e o ethos cultural e sócio-econômico dos missionários suecos podem ser observados na história de implantação da AD pelos suecos e depois pelos americanos que vieram contribuir com o fortalecimento das igrejas e a implantação de novos trabalhos. Quando os primeiros americanos começaram a chegar ao Brasil, entre eles, J.P.Kolenda, este desembarcou com o seu Chevrolet 1939 novinho e alugou um apartamento em Copacabana, Rio de Janeiro. Cf. Albert W.BRENDA, Ouvi Um Recado do Céu – Biografia de J.P. Kolenda, 1984, p. 89.
[44] Extraído do site www. Bíblia World Net.com.br
[45] oriundo da terra, igreja genuinamente brasileira.
[46] Foi este missionário que ajudou J.P.Kolenda ao desembarcar do navio, comprometendo-se com as autoridades alfandegárias, e auxiliando o missionário americano na procurar de um imóvel em Copacabana.
[47] VINGREN, 1982, op.cit., p. 229
[48] Embora na biografia, O Diário do Pioneiro, de Vingren conste que o jornal foi fundado durante o ano de 1930, a biografia editada pela revista OBREIRO, Ano 23 – Nº 13 – Encarte Especial – Pioneiros e Líderes da Assembléia de Deus, 2001, p. 8, coloca a data de 1929. Porém, na primeira edição do jornal “Boa Semente” consta à data de 18 de janeiro de 1919. Um dos principais artigos eram: “ A razão da Nossa Publicidade e “ O Batismo no Espírito Santo”. Cf. BOA SEMENTE – Órgão da Igreja Pentecostal, ANO I, Nº 1, Pará-Belém, 18 de janeiro de 1919.
[49] Cf. As dificuldades e provações sofridas por Vingren para executar essa titânica tarefa, pode ser observado in VINGREN, 1982, op.cit., p.191. O primeiro artigo era assinado pelo fiel companheiro de Vingren, Nils Kastberg, sob o título “A Estrela de Jacó”. O jornal trazia uma nota sobre a Convenção de Natal que deliberou a junção dos dois primeiros jornais para a formação de um órgão único, o Mesnageiro da Paz.
[50] VINGREN, 1982, op.cit., p. 204
[51] VINGREN, 1982, op.cit., p.226-7
[52] Id.Ibidem, 1982, p.225

4 comentários:

francisco disse...

que bela historia do pioneiro, um verdadeiro apostolo de Cristo, acho que se fosse possivel hoje ele estar vivo , morreria de desgosto ao ver no que se transformou alguns lideres da assembleia de Deus

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Francisco, é verdade!

Andréia disse...

PR>Esdras A paz do Senhor!
Estamos nos movimentando para que os nossos jovens ASS.Deus Pque Novo Oratório.Sto André,tenha um conhecimento sobre os pioneiros da ig.no Brasil.Sei que o ir é muito ocupado porém se possivel peço a ajuda de indicação ou emprestimo de material realizarmos essa grande amostra (Para Glória de Deus) para nossos jovens.Estou aceitando doaçoes e acima de tudo orações.Deus vos abençoe ore por nós.

Evangelista Roberto disse...

O missionário sueco Gunnar Adolph Vingren e o seu companheiro Daniel Berg,realizaram um trabalho sobrenatural na fundação da Assembléia de Deus no Brasil,que somente os céus ( Pai,Filho e Espírito Santo) poderão calcular !!!

TEOLOGIA & GRAÇA: TEOLOGANDO COM VOCÊ!



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