DÁ INSTRUÇÃO AO SÁBIO, E ELE SE FARÁ MAIS SÁBIO AINDA; ENSINA AO JUSTO, E ELE CRESCERÁ EM PRUDÊNCIA. NÃO REPREENDAS O ESCARNECEDOR, PARA QUE TE NÃO ABORREÇA; REPREENDE O SÁBIO, E ELE TE AMARÁ. (Pv 9.8,9)

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Criação Divina, Evolucionismo e Teoria da Lacuna

b) Obra de distinção:
Estabelece as três regiões do mundo que a cosmologia judaica admitia, três regiões que correspondem exatamente aos três elementos caóticos sobrepostos (trevas, águas, terra).
  • No primeiro dia (1.3-5), constitui a região dos céus. Deus age sobre a camada superior do caos, restringindo a duração das trevas; estas deverão, a intervalos, ceder À luz. Eis a primeira distinção: a de trevas e luz, dia e noite, que sucederão no domínio do mundo;

    No segundo dia (1.6-8), constitui-se a região das águas. Deus intervém agora na segunda camada do caos, ordenando que parte das águas se transfira para a região do céu, onde é guardada em reservatórios especiais; entre águas do céu e águas da terra o Senhor cria uma abóbada aparentemente sólida, chamada o firmamento. São as águas do céu que por meio de canais caindo sobre a terra, produzem chuva, nevem geada, etc. (cf. Jó 38.37);

    No terceiro dia (1.9-13), o Criador atinge a terra, recolhendo as águas que ainda a recobrem em lugares próprios, que são os mares e os rios (cf. Jó 38.11). A terra, ao aparecer, é logo revestida de plantas. O fato de que judeus concebiam vegetação como forro da terra, explica que a constituição da terceira região devia compreender duas obras: a produção da terra nua, arcabouço, e ao seu estrado verde aderente.
    [1]

c) Obra de Ornamentação:

  • Assim concluído a formação as três regiões do mundo nos três primeiros dias (obra de distinção), o hagiógrafo mostra como o Criador, nos três dias seguintes, deu a cada uma os seus habitantes ou a sua ornamentação; estes habitantes, sendo todos móveis, formam como que um magnífico exército, sempre pronto a executar as ordens do seu Senhor, como se diz em Gênesis 2.1: “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército”. Portanto:

    a) Na região do céu, Deus colocou os astros nos quais grande quantidade de luz se concentrou (4º dia; 1.14-19); à distinção feita no primeiro dia entre dia e noite, correspondem agora o sol, que rege o dia; a lua e as estrelas, que regem a noite;

    b) Na região das águas, o Senhor estabeleceu os monstros marinhos, os peixes e os voláteis (os quais povoam o ar, espaço entre as águas inferiores e superiores), (5º dia; 1.20-23);

    c) A região da terra começou a ser habitada pelos demais animais e pelo homem, que é a coroa da criação, destinado a dominar o mundo terrestre (6º dia; 1.24-31). Por fim, aos animais e ao homem foram dados como alimento os vegetais oriundos no terceiro dia, o que estabelece perfeita correspondência entre as obras do terceiro e do sexto dia.
    [2]

A Criação e a Imagem de Deus no Homem

Uma das posições teológicas sobre a imagem de Deus no homem, é aquela que admite com base nos versículos 27 e 28, que essa imagem é constituída pelo domínio que o homem exerce sobre a natureza. Ele é capaz de mudar o curso dos rios, domesticar os animais selvagens, de retirar e controlar a energia elétrica ou a eólica. Aos consideramos as narrações da criação do homem entendemos que:

1- A criação do homem foi precedida por um conselho divino: "Façamos... Nossa semelhança". Fica patente que esta descrição salienta um conselho divino para a formação do homem, e este conselho é formado pela Trindade. Pelo menos duas decisões são unânimes quanto à criação do homem pela Trindade:
1º. Que o homem fosse criado à imagem e semelhança divina.
2º. Que se tornasse senhor da criação.

2- A criação do homem liga-se a um tempo determinado: 6º dia. Depois de criado o Universo orgânico e inorgânico, (Gn 1.25), Deus coroa toda a sua criação com a formação do homem.

3- A criação do homem quanto à importância: o homem é distinguido como uma nova ordem na criação e aferido como coroa de todos os seres criados. A ele é entregue o domínio sobre a vida selvagem, doméstica, vegetal, etc...

4- A criação do homem como uma nova existência: o homem distingue-se dos seres irracionais, como uma nova ordem de existência racional, volitiva e sentimental. A criação do homem é distinta das criaturas inferiores. Não existiu qualquer sucessão evolutiva de seres inferiores até a formação superior do homem como atesta a teoria da evolução. A criação dos seres irracionais distingue-se da criação do homem pelo relato bíblico. Primeiro, o homem procede de Deus. Segundo, Ele é criado à imagem de Deus. Terceiro, ele é o rei da criação. Cada um é livre, não em depender de Deus, mas de escolher como padroeiro a quem quiser. O evolucionista prefere o macaco, nós, cristãos, escolhemos a Deus.

Isto posto, o homem foi criado conforme um tipo divino. A todos Deus criou segundo sua espécie, numa forma típica dos mesmos. O homem não foi criado assim, e muito menos um tipo inferior (Gn 1.26).

5. O ensino geral sobre a formação da natureza somática e racional do homem, é como se segue:

  • a)-No que tange ao somático, o homem foi criado por mediação;
  • b)-No que se refere à vida psíquica e espiritual, foi criação imediata ou de originação, estando correta no aspecto doutrinário à posição ortodoxa, de que Deus transmitiu (não criou) a natureza espiritual do homem.


Duas palavras hebraicas são usadas para designar esses dois atos formativos: "asah" fazer de coisas que já existem (Gn 1.26;2.7), e "bara" que significa "fazer do nada". Em Isaias 43.7, essas duas palavras são usadas para designar dois atos formativos distintos: "os criei (bara) para minha glória, e os formei e os fiz (asah)".

O ensino específico depreendido destes atos formativos à luz de Ec 7.29 é que:

1- A origem do homem é o próprio Deus (Gn 2.7; Mt 19.4; Mc 10.6);

2- O Homem foi criado integralmente:

a- Inocente em si mesmo e à vista de Deus;
b- Em comunhão com o Criador;
c- Em feliz harmonia com a criação;
d- Livre da morte;
e- Como coroa da criação;
f- Dotado de faculdades inerentes à sua natureza.

3 - O Homem Foi Criado Responsavelmente (Gn 2.28).
a- Para multiplicar-se e encher a terra;
b- Para dominar e conquistar.

4 - O Homem Foi Criado Destinadamente.
a- A desfrutar de comunhão íntima com o Criador;
b- A todas as bênçãos terrenas;
c- A viver vida santa.

[1] Id. Ibidem, 1955, p.37. Bettencourt assinala que os judeus possuíam outras concepções cosmológicas que interessam a narrativa do Gênesis: “imaginavam a terra sobre a forma de um grande disco cercado das águas (Sl 71.8) e sustentado sobre as águas inferiores por meio de colunas (Sl 17.16; 23.2; 74.4); destas águas inferiores, subterrâneas, julgavam provir as fontes e os rios que cortam a terra (cf. Gn 7.11; 8.2; Is 24.19). Os capitéis das colunas que emergiam eram as montanhas; as bases de tais colunas pousavam sobre uma região escura e misteriosa (Sheol), onde habitavam os mortos. Na linha do horizonte erguia-se o firmamento, cúpula gigantesca de metal fino ou cristal (cf. Jó 37.18), que suportava os reservatórios das águas superiores (chuva, neve, geada...) e da qual pendiam as numerosas estrelas; nela tinham seu roteiro fixo o sol e a lua”.
[2] Id.Ibidem, 1955, p.38.

3 comentários:

Pastor Geremias do Couto disse...

Caro amigo e pastor Esdras:

Quisera eu ter o seu cabedal para escrever com tantas palavras de sabedoria! Mas sofro de uma profunda "lacuna" que não me permite aprofundar-me em águas tão densas.

Bricandeiras à parte, parabéns pelas suas abordagens. Elas esclarecem, enriquecem e ajudam aqueles que querem aprimorar-a na difícil arte de conhecer os conceitos sobre a Criação.

Estou aqui, em terras de Tio Sam, concluindo as lições para a CPAD. Espero estar de volta ao Brasil no próximo dia 17 para encontrá-los aí.

Deus lhes abençoe.

Teologia com Graça disse...

Prezado Pr. Geremias, suas palavras motivacionais são ânimo ao espírito aguerrido às intempéries teológicas.
Espero vê-lo; tão logo chegue das plagas americanas.
Um abraço
Esdras Bentho

Faculdade de Teologia disse...

Parabens muito bom seu Post,muito interesante!!!!Fik c paz d cristo!!!
Abs!
Faculdade Teológica

TEOLOGIA & GRAÇA: TEOLOGANDO COM VOCÊ!



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