DÁ INSTRUÇÃO AO SÁBIO, E ELE SE FARÁ MAIS SÁBIO AINDA; ENSINA AO JUSTO, E ELE CRESCERÁ EM PRUDÊNCIA. NÃO REPREENDAS O ESCARNECEDOR, PARA QUE TE NÃO ABORREÇA; REPREENDE O SÁBIO, E ELE TE AMARÁ. (Pv 9.8,9)

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Introdução à Teologia do Antigo Testamento (V)


A questão principal não é “a unidade do Pentateuco”, e sim “como se realizou essa unidade”. Em outras palavras, a seção literária que vai do Gênesis ao Deuteronômio inclusive, é uma narrativa contínua? A pergunta que queremos formular aqui é: “Como veio à existência essa narrativa contínua?” Foi escrita por Moisés, conforme o cristianismo tradicional e a Bíblia ensina, ou foi compilada por outrem, séculos mais tarde? A questão inteira põe em dúvida a confiabilidade de Jesus, a exatidão dos escritores do AT e NT e a integridade do próprio Moisés.

5. Evidências Internas ou Acumulativas
A autoria mosaica do Pentateuco pode ser comprovada por acumulação, isto é, reunindo os diversos textos do AT que comprovam a autoria da obra. Algumas coincidências podiam imaginar-se acidentais; muitas tomadas separadamente, seriam de pouca força, mas elas combinadas são irresistíveis.

5.1 - Pentateuco, Históricos e Proféticos
O Pentateuco com freqüência se refere a Moisés como seu autor, a começar por Êxodo 17.14; 24.4,7; 34.27; Nm 33.1,2; Dt 31.9, das quais, na última temos: “Esta lei, escreveu-a Moisés e a deu aos sacerdotes...”. Mais tarde (Js 1.8), após a morte de Moisés, o Senhor deu instruções a Josué, sucessor de Moisés, para que “..não cesses de falar deste livro da lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito”.
Negar a autoria mosaica significa que todos os versículos acima citados são infundados e indignos de aceitação. Josué 8.32-34 registra que a congregação de Israel estava reunida fora da cidade de Siquém, no sopé do monte Ebal e do monte Gerizim, quando Josué leu em voz alta a lei de Moisés, escrita em tábuas de pedra, e os trechos de Levítico e de Deuteronômio referente às bênçãos e às maldições, como Moisés havia feito (Dt 27; 28).
Se a Hipótese Documentária estiver correta, esse relato também deve ser rejeitado por se tratar de mera invencionice. Outras referências do AT à autoria mosaica do Pentateuco são: 1 Rs 2.3; 2 Rs 14.6; 21.8; Ed 6.18; Ne 13.1; Dn 9.11-13; Ml 4.4. Todos esses testemunhos também deveriam ser totalmente rejeitados.


5.2. Profetas do Reino de Israel

  • a) - Oséias:
    1.10 (cf. Gn 22.17); 4.10 (cf. Lv 26.26); 4.13 (cf. Dt 12.2); 5.6 (cf. Êx 10.9); 8.12, uma notável passagem que pode ser assim traduzida: “escrevi-lhes milhares de coisas da minha lei”; 11.1 (cf. Êx 4.22); 11.3 (cf. Dt 1.31); 11.8,9 (cf. Dt 29.22,23);12.3 (cf. Gn 25.26; 32.24-32);
  • b) - Amós:
    2.2 (cf. Nm 21.28); 2.7 (cf. Êx 23.6,); 4.4 (cf. Nm 28.3); 9.13 (cf. Lv 26.5);

5.3. Profetas do Reino de Judá

  • a) - Joel:
    2.2 (cf. Êx 10.14); 2.23,26,27 (cf. Lv 26.4,5,11-13);
  • b) - Isaías:
    11.9 (cf. Nm 14.21); 12.2 (cf. Êx 15.2);
  • c) - Jeremias:
    4.23 (cf. Gn 1.2); 44.2 (cf. Dt 32.15; 33.5,26; 52.12); (Êx 12.33,39).

6 - Evidências Internas da Composição Mosaica
Além dos testemunhos diretamente oriundos dos trechos do Pentateuco acima mencionados, temos o testemunho desde alusões fortuitas, acontecimentos e questões da época, à situações políticas ou assuntos relacionados ao clima ou à geografia. Quando todos esses fatores são pesados de modo imparcial e correto, chega-se à seguinte conclusão: o autor desses livros e seus leitores devem ter vivido originalmente no Egito.


6.1 - Clima
O clima e as condições atmosféricas mencionados no Êxodo são tipicamente egípcios, não palestinos (cf. a referência à seqüência da colheita, em Êx 9.31,32).

6.2 - Árvore e Animais
As árvores e os animais a que se faz referência de Êxodo a Deuteronômio são todos naturais do Egito ou da Península do Sinai e nenhum deles é peculiar à Palestina. A árvore chamada acácia é nativa do Egito e do Sinai, mas dificilmente se encontra em Canaã, exceto ao redor do Mar Morto. As peles com que o exterior do Tabernáculo foi recoberto eram de um animal chamado tahas, ou dudongo, que é estranho à Palestina, mas encontrado nos mares adjacentes ao Egito e ao monte Sinai. Quanto à lista de animais limpos e imundos que encontramos em Levítico 11 e em Deuteronômio 14, alguns são peculiares à Península do Sinai, como o dîson, ou ovelha montês (Dt 14.5); o ya 'anah, ou avestruz (Lv 11.16); e o te'ô, ou antílope selvagem (Dt 14.5). É difícil imaginar como uma lista desse tipo poderia ter sido feita nove séculos depois, após o povo de Israel ter vivido todo esse tempo numa terra que não tinha nenhum desses animais.


6.3. Geografia
Mais contundentes ainda são as referência geográficas que anunciam perspectivas de uma pessoa não familiarizada com a Palestina, mas conhecedora do Egito.
Em Gênesis 13.10, em que o autor deseja transmitir aos leitores como era verde o vale do Jordão, ele o compara a uma localidade bem conhecida da região oriental do delta do Nilo, perto de Menfis, entre Busiris e Tânis. Declara ele que o vale do Jordão era “como a terra do Egito, como quem vai para Zoar”. Nada poderia ser mais evidente com base nessa referência casual que o fato de o autor estar escrevendo para um grupo de pessoas não familiarizadas com a aparência da Palestina, mas pessoalmente familiarizados com a geografia do baixo Egito. Tal familiaridade só poderia crescer no próprio e isso se enquadra muito bem numa datação mosaica para a composição do livro de Gênesis.

6.4. Dicção
O autor de Gênesis e Êxodo usou uma variedade de termos egípcios, conforme escreveu Archer, do que em qualquer outra parte do AT. Por exemplo:

  • a) - A expressão ’abhrêkh (Gn 41.43 - traduzida como “inclinai-vos”) ao que parece é a expressão egípcia 'b rk' (Ó coração, prosta-te!), embora muitas outras explicações tenham sido aventadas;
  • b) - Pesos e medidas como zereth (um palmo), de drt - mão; ’êyphâh (décima parte de um ômer), de 'pt; hín (correspondentes a cerca de 4,75 1).

O autor sagrado também fez uso de numerosos nomes distintamente egípcios:

  • Potífera:
    (Gn 41.45; 46.20) e sua forma mais breve, Potifar (Gn 37.36; 39.1), o qual significa “a quem Rá (o Deus sol) deu”.
  • Zafenate-Panéia:
    (Gn 41.45), com que Faraó adotou José. A LXX interpretou esse nome como “salvador do mundo”, um título apropriado para quem livrou o Egito da fome.
  • Asenate:
    (Gn 41.45,50), a esposa de José;
  • On:
    (Gn 41.45,50; 46.20), o antigo nome egípcio de Heliópolis;
  • Ramessés:
    (Gn 47.11; Êx 1.11;12.37; Nm 33.3,5);
  • Pitom:
    (Êx 1.11), provavelmente o nome egípcio;
  • Pi-Tum:
    Mencionado pela primeira vez em monumentos da 19ª dinastia, tal como o livro de Êxodo faz o registro.


7. Falta de Coerência da Divisão em Fontes
Até mesmo versículos isolados têm sido destacados como se fossem “fontes”. Por exemplo, o trecho de Gênesis 21.1,2:

1.“Visitou o Senhor (Yahweh) a Sara, como lhe dissera, e cumpriu o que lhe havia prometido.

2. Sara concebeu e deu à luz um filho a Abraão, na sua velhice, no tempo determinado de que Deus (Elohim) lhe falara.”


Ora, de acordo com os críticos as palavras “Visitou o Senhor (Yahweh) a Sara, como lhe dissera” são atribuídas à fonte J; mas as palavras que se seguem de imediato, “e cumpriu o que lhe havia prometido”, são atribuídas por eles à fonte S (a despeito da insistência dos peritos documentários de que a fonte S nunca usa o nome Yahweh antes de Êxodo 6.3). De igual modo, as palavras “Sara concebeu e deu à luz um filho a Abraão, na sua velhice”, são atribuídas à fonte J; mas as palavras “no tempo determinado de que Deus (Elohim) lhe falara”, são atribuídas à fonte S.

Bibliografia desta seção
ANGUS, Joseph. História, doutrina e interpretação da Bíblia. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1953.
ARCHER JR. Gleason L. Merece confiança o Antigo Testamento? São Paulo: Vida Nova, 1991.
GOTTWALD, Norman K. Introdução socioliterária à Bíblia hegbraica. Rio de Janeiro: Edições Paulinas, 1998.
MAcDOWELL, Josh. Evidências que exige um veredito. São Paulo: Candeia, Vl. II, 1993.
VON RAD, G. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: ASTE, Vl. I, 1973.
* Contrários a HD
* A favor da HD

Um comentário:

Léo disse...

A Paz do Senhor profº Esdras.

Em breve, se assim Deus permitir, estarei lhe enviando alguns comentários sobre o assunto. Posteriormente desejo apresentar-lhe alguns artigos meus para sua análise.

Parabéns pela iniciativa.

Leonardo Geter

TEOLOGIA & GRAÇA: TEOLOGANDO COM VOCÊ!



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